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domingo, 2 de dezembro de 2012

Conveniência pouca é bobagem


Catolicismo de araque dos não-praticantes.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mulher morre ao ter sido negado aborto que salvaria sua vida

Savita Halappanavar, uma dentista de 31 anos que estava grávida de 17 semanas, morreu em um hospital católico na Irlanda vítima de um aborto espontâneo. Ela poderia ter se salvado se os médicos acelerassem o aborto, no entanto, eles se recusaram ao escutar um batimento cardíaco vindo do feto.

Savita teve que esperar três dias em agonia até o feto morrer, mas aí já era tarde: ela veio a falecer por septicemia - veneno no sangue devido à contaminação por bactérias. Seu marido, Praveen Halappanavar (34), diz que assim que soube que ela estava perdendo o bebê, ela pediu várias vezes que a gravidez fosse terminada, mas teve o pedido negado porque, segundo o hospital disse, "esse é um país católico".

Savita Halappanavar, 31 anos, morreu no Hospital
Universitário Galway, vítima de septicemia.

"O médico nos disse que a cérvix estava totalmente dilatada, e o líquido amniótico estava vazando, e que o bebê infelizmente não sobreviveria", disse o marido. Foi dito que levaria algumas horas, mas que acabou se alongando por dias. "Savita estava realmente em agonia", ele continua, "Ela estava abalada, mas aceitou a perda do filho. Quando a enfermeira veio fazer a ronda, ela perguntou se já que não poderia salvar o bebê então que terminasse a gravidez. Ela respondeu que enquanto o feto tiver batimentos cardíacos não há nada que podia ser feito".

No dia seguinte, novamente a mesma discussão. Os enfermeiros insistiram que não podiam fazer nada, que essa era a lei, e que aquele era um país católico. Savita, que era hinduísta, disse que não era nem católica nem irlandesa, mas não adiantou.

Naquela noite, Savita começou a ter espasmos e a vomitar. Ela foi usar o banheiro e desmaiou. Na manhã seguinte ela estava tão doente que o marido pediu novamente que terminassem a gravidez, novamente sem resultado.

Próximo do horário do almoço, os batimentos do feto finalmente cessaram, mas aí já era tarde. O coração, rins e fígado de Savita já não estavam mais funcionando, e ela morreu naquela noite.

Pode parecer apenas um caso, mas ela está entre centenas de mulheres irlandesas que buscam ajuda para obter abortos, entre elas vítimas de estupro, ou que correm risco de vida, ou que tem menos de 15 anos. Para essas, a alternativa é buscar ajuda em outros países onde o aborto é permitido, como na Inglaterra, por exemplo.

Então, aqui temos mais um caso onde o sangue derramado está nas mãos da Igreja Católica. Espero que eles estejam orgulhosos. E vale lembrar que a intenção da igreja é impor essa lei para todos, inclusive aqui no Brasil, onde a pressão é muito grande.

Agora eu faço uma pergunta: que tipo de moralidade é essa, que diz proibir o assassinato, mas que permite o assassinato de mulheres como ela? Sim, porque ela foi assassinada. Era sabido que o bebê não sobreviveria, e o que aconteceu a seguir foi pura e simplesmente negar atendimento médico a uma pessoa que estava sofrendo. Homicídio doloso, apenas isso.

Fica claro que eles não são pró-vida. São pró-sofrimento.

 Fonte: Irishtimes.com.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Freiras são repreendidas pelo Vaticano

A principal organização de freiras católicas dos Estados Unidos, a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), foi duramente reprimida após uma investigação do Vaticano que descobriu que ela estava gastando muito tempo em assuntos de pouca importância, tais como ajudar os pobres e os doentes, e não estavam dando atenção a assuntos mais importantes como o casamento homossexual e o aborto.

A LCWR, que tem cerca de 1500 membros, em seu site alegam estar surpresos e perplexos ao receberem uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano (CDFV) - o nome dado à antiga Suprema Sagrada Congregação da Inquisição Universal Romana.

A CDFV, nessa carta, alega que:

"Apesar de feito um grande trabalho por parte da LCWR em promover justiça social em harmonia com a doutrina social da Igreja, ela se cala sobre o direito à vida desde a concepção até a morte natural, uma questão que é parte integrante do debate sobre o aborto e a eutanásia nos Estados Unidos."

e:

"Ainda mais, assuntos de crucial importância para a vida da Igreja e da sociedade, como a visão bíblica da Igreja sobre a família humana e a sexualidade, não fazem parte da agenda da LCWR em acordo com os ensinamentos da igreja."

Então é isso, aparentemente essas freiras estão muito moderninhas e tem a audácia de pensar por conta própria, e por isso é necessário colocá-las no seu devido lugar. Quem se importa com os pobres e os doentes? É o que as pessoas fazem consensualmente na privacidade dos seus lares o que importa!


Pois é, uma das poucas coisas úteis que as igrejas fazem para a sociedade, que são os atos de caridade, estão em plano secundário em prol da invasão do direito de escolha da mulher e estilo de vida pessoal de cada um. Ao invés de incentivar a espalhar o amor e a solidariedade, pelo contrário, incentivam a propagar o preconceito e o ódio!

Informações com Msnbc.

domingo, 29 de abril de 2012

Texto fora de contexto é pretexto?

Ainda sobre esse interessante debate entre Dawkins e o cardeal Pell, vemos que aos 29 minutos quando o assunto se voltou para a evolução, o clérico falou o seguinte sobre a religiosidade de Charles Darwin:

"Mas há muitas coisas que a evolução não explica. Darwin entendeu isso. Darwin era teísta, porque ele disse que não podia acreditar que o imenso cosmos e todas as coisas lindas do universo surgiram ou por acaso, ou por necessidade. Ele disse: 'Eu tenho que ser classificado como um teísta'." - Cardeal George Pell.

Dawkins protestou na hora: "Isso não é verdade. Isso simplesmente não é verdade!", ao que o cardeal respondeu enfaticamente que "está na página 92 de sua autobiografia, vai dar uma olhada", arrancando aplausos de sua platéia de ovelhas.

É uma afirmação muito interessante e ousada, visto que graças à magia da internet temos à disposição a obra completa de Charles Darwin disponível on-line nesse site aqui: http://darwin-online.org.uk/biography.html.

Assim, podemos conferir o que está escrito na página 92 de sua autobiografia com facilidade. Nessa página, de fato, ele diz:

"Outra fonte de convencimento da existência de Deus, conectado à razão e não aos sentimentos, me impressiona como tendo muito mais força. Isso segue da extrema dificuldade ou até impossibilidade de conceber esse imenso e lindo universo, incluindo o homem e sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro longínquo, como o resultado de puro acaso ou necessidade. Assim, refletindo, eu sou compelido a olhar para a Causa Primeira tendo uma mente inteligente em um grau similar ao do homem; e eu devo ser chamado de teísta." - Charles Darwin.

Pois é... parece que o cardeal estava certo... ponto para ele...

Porém, se ele tivesse lido o parágrafo seguinte, até a página 94, ele veria que Darwin estava falando de como pensava antigamente, e que naquele momento ele se considerava agnóstico:

"Essa conclusão estava forte em minha mente naquele tempo, desde tanto quanto posso me lembrar, quando escrevi o 'A Origem das Espécies'; e desde lá vem gradualmente, com pequenas flutuações, ficando mais fraca. Mas então surge a dúvida - pode a mente do homem, que foi, como eu fortemente acredito, desenvolvida à partir das mentes possuídas pelos mais inferiores dos animais, ser confiável quando chega a tão importantes conclusões? Podem ser que elas não sejam o resultado da conexão entre causa e efeito que para nós parece tão necessária, mas que provavelmente dependam apenas de simples experiência adquirida? Nem devo subestimar a probabilidade da constante inclusão da crença em Deus nas mentes das crianças produzindo um efeito tão forte e talvez adquirido nos seus cérebros ainda em desenvolvimento, que seria difícil para elas eliminar a sua crença em Deus, assim como um macaco mantém instintivamente o seu medo e ódio de cobras.

Eu não consigo sequer fazer de conta que posso lançar um pouco de luz sobre esses problemas tão difíceis. O mistério do princípio de todas as coisas é insolúvel a nós; e por isso preciso me conformar em permanecer agnóstico." - Charles Darwin

Então, como vemos, Charles Darwin foi bem claro quanto ao seu agnosticismo.

Reparem como há uma nota de rodapé que diz que a sua mulher havia pedido ao editor que não publicasse esse parágrafo - e, de fato, esse e muitos outros parágrafos foram suprimidos nas primeiras edições, por causa das implicações religiosas que eles teriam. Isso dá uma idéia do conflito pelo qual ambos Charles e sua mulher passaram. Charles e sua mulher eram extremamente religiosos. No entanto, ele foi gradualmente perdendo a sua crença à medida em que ia desenvolvendo suas teorias, até que no final da vida se considerava agnóstico.

Voltando ao cardeal Pell, agora fica claro que ele simplesmente retirou a frase de contexto completamente (e não da forma tosca como os cristãos dizem que os ateus fazem), o que significa duas possibilidades: ou ele não leu o livro e simplesmente decorou a página, o que faz dele um ignorante, ou leu e omitiu o fato de propósito, o que o seria um ato de pura desonestidade. Acredito que foi a primeira opção; ele jamais leu o livro, senão não ia deixar de entender algo tão claro. Por outro lado, falar com tanta autoridade como se tivesse lido (e ainda manda Dawkins ler!) também foi um ato de desonestidade.

O cristianismo mudou de novo?

Ainda sobre o vídeo do debate entre Richard Dawkins e o cardeal George Pell, postado no tópico anterior, ainda podemos fazer algumas colocações interessantes.

Por exemplo, aos 41 minutos, um garoto faz a seguinte pergunta:

"Eu sou ateu. O que você acha que vai acontecer quando eu morrer, e como você sabe disso?" - Mathew Thompson

O cardeal deu uma enrolada na resposta, mas basicamente disse que aqueles que morrem serão julgados de acordo com os seus atos malignos, e por isso um ateu poderia ir para o paraíso. Deve-se ficar claro que o cardeal Pell não é qualquer um dentro do círculo da igreja; há rumores de que ele pode estar na restrita lista dos pretendentes a papa no próximo conclave.

Portanto, ver uma resposta ecumênica como essa não é pouca coisa, ainda mais com os recentes ataques do Papa Ratzinger ao ateísmo e à secularização da Europa, atribuindo inclusive o nazismo ao movimento ateu.

Mas o mais importante - e lamentavelmente essa oportunidade não foi aproveitada por Dawkins - é que essa idéia contraria totalmente os ensinamentos de Cristo.

Jesus Cristo foi bem claro ao dizer (ou, pelo menos nas palavras atribuídas a ele, e já vimos que algumas delas claramente são fraudes) que a salvação só vem por meio daqueles que acreditam nele:

Marcos 16:16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

E ainda em outras passagens:

Mateus 10:33  Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.

João 3:36  Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

João 8:24  Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

João 14:6  Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.


Enfim, parece bem claro que os ensinamentos de Jesus dizem que nenhum descrente será capaz de entrar no "reino dos céus".

Esse ensinamento foi reforçado na igreja católica pelo Concílio IV de Latrão, em 1215, sancionado pelo papa Inocêncio III, que estabeleceu o dogma "Extra Ecclesiam nulla salus", ou seja, fora da igreja não há salvação. Esse é um dogma ex cathedra, quando o papa faz o uso de sua infalibilidade para definir uma doutrina com suprema autoridade, e não pode ser mudada.

Como eu queria estar no lugar do Dawkins nesse momento! Queria ver o cardeal piando quando eu perguntasse se o dogma da igreja mudou, ou, se é apenas uma opinião pessoal dele que os ateus podem ser salvos, então perguntaria se ele discorda de um dogma oficial de sua própria igreja e por quê.

É uma pena, mas enfim, talvez algum católico - talvez até algum padre - apareça por aqui e nos esclareça essa dúvida. :D

sábado, 28 de abril de 2012

Pegou mal, Cardeal


LOL.

Para quem não viu, isso aconteceu de verdade, aos 48:00 minutos do vídeo abaixo, em um programa de televisão australiano.

Só para esclarecer, não foi Dawkins quem começou a dar risada, foi a platéia, porque a essa altura os ânimos já estavam acirrados, e o cardeal trouxe uma trupe de macacos que aplaudiam qualquer coisa que ele dizia, e riam das respostas de Dawkins.

Essa foi merecida, foi bem no rim.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Por que ateus tem tanta raiva?

Dois vídeos muito instrutivos, legendados em português, que explicam muito da "raiva" que os ateus sentem pelas religiões.

Recomendado a todos os crentes.

Parte 1:



Parte 2:



Água na boca


sábado, 14 de abril de 2012

Bispos lançam campanha para desobedecer "leis injustas"

Paróquias e dioceses nos Estados Unidos lançaram uma campanha nesta quinta-feira (12) em defesa dos direitos de liberdade religiosa e para que católicos lutem contra leis que eles consideram injustas.

Por injustas eles falam de leis que obrigam as igrejas a obedecerem as mesmas leis que vale para todos, mas que vão de encontro com suas crenças. Por exemplo, a obrigação de permitir a adoção de crianças de orfanatos católicos por casais do mesmo sexo. Muitas igrejas estão fechando os orfanatos para não precisar obedecer a lei, ou seja, na cabeça "pura" e "santa" desses cristãos, eles preferem ver crianças abandonadas nas ruas do que serem adotadas por homossexuais. Outra medida da qual são contra é a obrigação de fornecer anticoncepcionais e assistência para o aborto em jovens meninas vítimas do tráfico e exploração sexual.

"De forma sem precedentes, o governo tanto força instituições religiosas a facilitar e a promover idéias contrárias aos seus ensinamentos morais, quanto define quais instituições são 'religiosas o suficiente' para merecer proteção por sua liberdade de crença", diz o documento de 12 páginas assinado pelos bispos.

Engraçado, eles alegam que seus direitos estão sendo violados quando suas entidades pastorais e beneficentes são obrigadas pelo governo a praticar ações que vão de encontro com seus dogmas, mas não reclamam que essas entidades recebem isenções e benefícios do governo por serem consideradas religiosas. Como o governo financia essas instituições, elas devem servir a toda a sociedade, não apenas aos ideais católicos.

A conta é muito simples: quer receber benefícios do governo, então atenda à sociedade inteira, baseado nos ideais da sociedade com um todo. Quer seguir estritamente os seus ideais religiosos? Então abra mão dos benefícios do governo. É claro que as instituições podem aconselhar as pessoas de acordo com suas crenças, mas não podem obrigá-las a obedecê-las, nem forçar o governo a criar leis especiais para eles.

Então, ao invés de simplesmente agir de forma cristã e obedecer o governo, conforme o apóstolo Paulo disse, preferem fechar as portas e jogar crianças adolescentes carentes nas ruas. Aposto que Jesus ficaria orgulhoso.

Informações com Associated Press.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sábado, 10 de abril de 2010

Ratzinger e o crime de acobertamento

Foi divulgada na internet a carta na qual o então cardeal Ratzinger escreveu ao bispo John S. Cummins, dizendo que não estava a favor do afastamento do padre pedófilo Stephen Miller Kiesle, que abusou sexualmente de centenas de crianças, para não abalar a imagem da igreja.

Graças a essa omissão o padre permaneceu por mais seis anos molestando crianças, até ser afastado em 1987, e finalmente preso, somente em 2004.

Vemos aqui quais são as prioridades da igreja: a sua imagem, e não as vidas das crianças que foram sistematicamente arruinadas.

É triste ver como existem pessoas que ainda defendem essa instituição.

Se eu soubesse que meu vizinho é pedófilo, e mesmo sabendo que ele abusa constantemente de crianças ainda assim não informasse a ninguém, não o denunciasse, eu deveria ser preso por conivência e cumplicidade, e com razão.

Mas, para os católicos, o clero parece ter uma espécie de imunidade sobrenatural, no qual jamais precisam se responsabilizar pelos seus atos.

É vergonhoso isso.

Segue abaixo a íntegra da carta:

Excelente Bispo


Tendo recebido a sua carta de 13 de setembro deste ano, em relação à questão da remoção de todos os cargos sacerdotais do Rev. Stephen Miller Kiesle na sua diocese, que é meu dever de compartilhar com vocês o seguinte:

Este tribunal, embora considera os argumentos apresentados em favor do afastamento, neste caso, ser de importância grave, no entanto, considera necessário considerar o bem da Igreja Universal, juntamente com a do requerente, e também é incapaz de prever o que a concessão de dispensa pode provocar à comunidade dos fiéis, especialmente em relação à jovem idade do requerente.

É necessário que esta Congregação para apresentar os incidentes deste tipo de consideração muito cuidadosa, o que exige um longo período de tempo.

Entretanto Vossa Excelência não pode deixar de fornecer ao requerente com tanto cuidado paternal possível, além de explicar a razão do mesmo deste tribunal, que está acostumado a seguir mantendo o bem comum, especialmente diante dos seus olhos.

Permitam-me aproveitar esta ocasião para expressar os sentimentos da mais alta consideração sempre com você.

Sua mais Excelência, o Reverendo

Cardeal Joseph Ratzinger