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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Injustiças Divinas III - Deus mata lentamente um bebê

Davi, o comedor, agora estava de olho na mulher de Urias, Bate-Seba, quando a viu tomando banho. Assim, mandou buscá-la e cometeu adultério com ela - mas só após ela estar "limpa de sua imundície", fique bem claro. Ela acabou engravidando. Assim, Davi elaborou um plano para que Joabe, comandante das tropas, enviasse Urias à guerra na frente da batalha, para que morresse e pudesse ficar com a mulher definitivamente para ele. Isso desagradou a deus. Toda a história está no capítulo 11 de 2 Samuel:

2Samuel,11:2E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.
2Samuel,11:3E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?
2Samuel,11:4Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa.
2Samuel,11:5E a mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida.

(...)

2Samuel,11:14E sucedeu que pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe; e mandou-lha por mão de Urias.
2Samuel,11:15Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.
2Samuel,11:16Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pós a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.
2Samuel,11:17E, saindo os homens da cidade, e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu.

Deus não gostou nada dessa atitude (não a de tomar mais uma mulher para si, fique bem claro, mas a do adultério e do plano de matar Urias; Davi acumulou centenas de mulheres e deus não se incomodou nem um pouco...) e enviou o profeta Natã para repreendê-lo.

Primeiro, numa típica atitude machista e patriarcal da idade de bronze, deus promete que as mulheres de Davi serão estupradas em plena luz do dia por alguém de sua própria família:

2Samuel,12:11Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.
2Samuel,12:12Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.

Segundo a bíblia, foi seu próprio filho Absalão quem fez isso, como vemos em 2 Samuel 16:21-22:

2Samuel,16:21E disse Aitofel a Absalão: Possue as concubinas de teu pai, que deixou para guardarem a casa; e assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível para com teu pai; e se fortalecerão as mãos de todos os que estão contigo.
2Samuel,16:22Estenderam, pois, para Absalão uma tenda no terraço; e Absalão possuiu as concubinas de seu pai, perante os olhos de todo o Israel.

Ou seja, além de serem escravas sexuais do rei com a autorização de deus, elas também são violentadas para servir de punição contra o pecado de Davi! Mas isso não é tudo...

O que acontece a seguir é uma das mais abjetas e desprezíveis atitudes que o deus do Velho Testamento Jeová comete: para punir Davi pelo seu pecado, ele mata seu filho recém nascido.

2Samuel,12:13Então disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás.
2Samuel,12:14Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.

E se não bastasse tirar uma vida inocente, nem mesmo lhe concede a dignidade de uma morte rápida e indolor; pelo contrário, o deixa agonizando por sete dias antes de morrer:

2Samuel,12:15Então Natã foi para sua casa; e o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.
2Samuel,12:16E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.
2Samuel,12:17Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.
2Samuel,12:18E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança;

Esse é o deus que os crentes adoram. Há alguma justificativa para uma atitude abominável dessas de um deus que dizem ser de amor e compaixão? Alguma racionalização genial que explique que um deus de amor e justiça tire a vida de uma criança inocente para punir o seu pai?

Deus de amor? Não! Deus da tortura, deus da injustiça, deus da vingança, deus da morte.

Interessante que se observarmos esse episódio do ponto de vista secular, ou seja, de que a bíblia foi escrita por seres humanos sem nenhuma inspiração ou intervenção divina, tudo faz sentido: é claro que os sacerdotes daquela época não tinham o conhecimento necessário para saber de todas as enfermidades que acometem na infância. Provavelmente ela ficou doente por um motivo qualquer, e na ignorância daquele tempo a sua morte foi atribuída à vontade de deus - até por talvez ser notório que ela era fruto de um adultério e de uma trama de assassinato. Isso não quer dizer obviamente que o fato tenha acontecido de verdade. Não há indícios que Davi tenha existido realmente. Provavelmente foi só a transcrição de uma tradição oral, ou algo que aconteceu com qualquer outro rei, e depois foi atribuído a Davi. Mas essa era a explicação que fazia sentido na época.

No entanto, se olharmos do ponto de vista religioso, no qual deus inspirou divinamente cada trecho da bíblia e tudo o que está lá é verdade, e a criança morreu realmente para servir de punição a Davi, então deus se torna uma das criaturas mais desprezíveis que já existiram, além de contradizer outras passagem bíblicas que mostram que deus não pune as pessoas pelos pecados dos outros.

Não tem saída, matar um bebê recém nascido e torturar mulheres inocentes por causa do erro de outra pessoa não tem justificativa diante de um deus que se considera bom e justo; não foi feita bondade nem justiça nesse caso. A única saída é admitir a verdade: que a bíblia foi escrita por homens ignorantes que sequer conheciam o mundo ao seu redor e os males que os afligiam, e a única explicação que tinham é a de que "foi deus quem quis".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Guia bíblico para a tortura

Muitas pessoas não sabem, ou ignoram o fato da bíblia apoiar a tortura, em várias instâncias. Várias formas de tortura física e psicológica recebem o aval do deus bíblico, algumas das quais proibidas por todos os grupos humanitários e pelos direitos humanos da atualidade. Por exemplo:


Tortura para curar do mal:

Algumas vezes você precisa bater nas pessoas para purificá-las do mal. Isso é para o seu próprio bem. "Purifica o corpo".

Provérbios 20:30 Os vergões das feridas purificam do mal, e os açoites, o mais íntimo do corpo.


Tortura como punição de crimes:

Surras podem ser uma boa forma de punição por crimes. Algo que qualquer sociedade civilizada atualmente condena, é plenamente recomendado por deus.

Deuteronômio 25:2 Se o culpado merecer açoites, o juiz o fará deitar-se e o fará açoitar, na sua presença, com o número de açoites segundo a sua culpa.


Tortura para as pessoas tolas:

É sempre bom bater em tolos. Bata neles sempre que os encontrar.

Provérbios 18:6 Os lábios do tolo entram na contenda, e por açoites brada a sua boca.

Provérbios 19:29 Preparados estão os juízos para os escarnecedores, e os açoites para as costas dos tolos.

Provérbios 26:3 O açoite é para o cavalo, o freio é para o jumento, e a vara é para as costas dos tolos.



Tortura para seus escravos:

Tudo bem bater em escravos, desde que eles vivam por pelo menos um dia ou dois. Afinal, ele é propriedade sua.

Êxodo 21:20 Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado;

Êxodo 21:21 Porém se sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro seu.



Tortura para os seus filhos:

Bater nos seus filhos é um sinal de amor. Bata desde cedo.

Provérbios 13:24 O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga.

As crianças são tolas por natureza. Bater nelas as deixará menos tolas.

Provérbios 22:15 A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela.
Provérbios 29:15 A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe.

Então bata bastante e sempre que quiser. Não se preocupe se machucá-los. Você pode quebrar alguns ossos ou causar algum dano cerebral, mas isso não vai matá-las. E mesmo se matá-las, elas vão para um lugar melhor. Elas vão te agradecer nos céus por ter surrado elas pra caralho:

Provérbios 23:13 Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.
Provérbios 23:14 Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.


Tortura para os prisioneiros de guerra:

A bíblia possui vários exemplos do bom e velho uso da tortura. Por exemplo, Davi foi "um homem segundo o coração de Deus", e "fez o que era reto aos olhos do SENHOR... senão só no negócio de Urias, o heteu". Desde que ele torturava e matava os habitantes de várias cidades, a tortura deve ser algo normal para Deus:

IISam 12:31 E, trazendo o povo que havia nela, os pós às serras, e às talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Amom; e voltou Davi e todo o povo para Jerusalém.

ICron 20:3 Também levou o povo que estava nela e o fez passar à serra, e a picaretas de ferro, e a machados; assim fez Davi a todas as cidades dos filhos de Amom.


Algumas vezes, Jesus parecia favorável à tortura. Em suas parábolas, por exemplo, Jesus várias vezes mencionou torturar seus inimigos:

Mat 18:34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.

Mat 22:13 Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Mat 24:51 E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Luc 12:47 E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;
Luc 12:48 Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado.

Demônios esperam que Jesus os torture. E Jesus em nenhum momento negou que planejava mesmo torturá-los:

Mateus 8:29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?

Marcos 5:7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.



Tortura para os desobedientes:

Deus alega que vai torturar quem não obedecer seus mandamentos.

Salmos 89:31 Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,

Salmos 89:32 Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniqüidade com açoites.



Tortura durante o retorno de Jesus:

No Juízo final, Deus vai torturar as pessoas, fazendo-as desejarem morrer. Mas Deus não vai permitir que elas morram, e assim pode torturá-las mais um pouco:

Apocalipse 9:5 E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem.

Apocalipse 9:6 E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.



Tortura por toda a eternidade:

Mas a tortura final é o inferno. Pessoas serão torturadas para sempre pelo simples fato de terem escolhido errado durante o breve tempo que viveram. Se o inferno for justificado, tudo é possível.

Mat 13:41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escándalo, e os que cometem iniqüidade.

Mat 13:42 E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.


Mat 18:8 Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
Mat 18:9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.


Mat 25:41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

Ap 14:10 Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.
Ap 14:11 E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.



quinta-feira, 18 de junho de 2009

A bíblia e a escravidão II - O Novo Testamento

Bem, conforme prometido, vamos continuar passeando pela bíblia em torno dos versículos que provam que ela apóia a escravidão. Mas antes, vamos ver o que mais alguns representantes cristãos proeminentes tinham a dizer sobre isso...

"Escravidão entre os homens é natural, porque alguns são escravos naturalmente, de acordo com o Filósofo (Polit. i, 2). Agora, a escravidão pertence ao direito das nações, como diz Isidoro (Etym, v.4). Portanto os direitos das nações é um direito natural." - Sto. Tomás Aquino, Summa Theologica, "On justice".

"A causa primeira... da escravidão é o pecado, que leva o homem ao domínio do seu semelhante - o que não acontece salvo pela vontade de Deus, no qual não há injustiça, e o qual sabe aplicar punições para todo tipo de ofensas." - Sto. Agostinho, City of God, Book XIX, Chapter. 15.

"Qualquer um que ensinar um escravo, sob o pretexto da piedade, a desprezar seu mestre e a fugir dos deveres, e a não servir seu mestre com boa vontade e toda a honra, que seja amaldiçoado" - Sínodo de Gangra, 340 e.c.

"A escravidão em si, considerada em sua essência natural, de forma alguma contraria as leis naturais e divinas... Não é contrário às leis naturais e divinas vender, comprar, trocar ou dar um escravo." - Instrução 20, O Santo Ofício (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé), 20 de junho de 1866

"Certamente é uma questão de fé que esse tipo de escravidão em que um homem serve seu mestre como seu escravo, seja totalmente legal. Ela é provada pelas Sagradas Escrituras. Também é provado pela razão porque é razoável que todas as coisas que são capturadas em uma guerra justa passam o poder e a propriedade para os vitoriosos, então pessoas capturadas em uma guerra passam a ser propriedades dos captores. Todos os teólogos são unânimes quanto a isso." - Papa Gregório IX, Quaestiones Morales Theologicae, Lyons 1668 - 1692, Tome VIII, De Quarto Decalogi Praecepto, Tract. IV, Disp. I, Q. 3


Por enquanto chega de católicos, e vamos para os evangélicos, senão eles ficam com ciúme.

"Agora, meu caro senhor, se, dadas as evidências contidas na Bíblia que provam a legalidade da escravidão entre o povo de Deus em qualquer dispensação, a assertiva ainda é feita, mesmo à mostra dessas evidências, de que a escravidão já foi um dia o maior pecado - em qualquer lugar e sob quaisquer circunstâncias - pode você, ou qualquer homem são acreditar que a mente capaz de tal decisão, não é capaz de pisotear a Palavra de Deus em qualquer outro assunto?" - Pastor Thomas Stringfellow, A Brief Examination of Scripture Testimony on the Institution of Slavery (Locust Grove, VA, 1841)

"Se possuir escravos fosse um mal moral, não se pode supor que os Apóstolos inspirados, que não temiam homem algum, e estavam prontos para entregar as suas vidas para a causa de Deus, teriam tolerado por um momento sequer dentro da Santa Igreja... ao provar esse tema justificado pela autoridade das Escrituras, a sua moralidade também é provada, pois a Lei Divina nunca sanciona ações imorais" - Pastor Dr. Richard Furman, Presidente da Convenção Estadual Batista da Carolina do Sul, Exposition of the Views of the Baptists, Relative to the Coloured Population in the United States in a Communication to the Governor of South Carolina (1838)

"Nós temos uma grande lição para ensinar ao mundo sobre as relações entre as raças: que certas raças são permanentemente inferiores às suas capacidades que outras, e que os Africanos que estão em nossos cuidados só conseguem atingir a quantidade de civilização e desenvolvimento que são capazes - podem apenas contribuir para o benefício da humanidade na posição em que Deus os colocou para nós (isto é, a de escravos)" - Reverendo James Warley Miles, God in History: A Discourse Delivered Before the Graduating Class of the College of Charleston (March 29, 1863).


Bem, acho que chega de citações. Mas antes de começar, gostaria de parar um pouco e pensar a respeito do que lemos aqui. Será que tanta gente, durante tanto tempo, interpretou erroneamente as escrituras? Por cerca de 18 séculos a bíblia foi usada para justificar a escravidão. Podemos indagar sobre a eficiência da mensagem bíblica, quando ela propaga uma idéia errada por todos esses séculos. Só agora que entenderam corretamente? Não, não é isso. A mensagem é clara, e a bíblia continua a mesma. Os tempos é que mudaram. Quando os abolicionistas ganharam força, e se passou a ver a escravidão como uma abominação, é que as pessoas que não queriam largar suas crenças começaram a deturpar o sentido de suas escrituras.

Jesus era um que teve várias oportunidades para falar contra a escravidão. Não o fez. Por quê? Não é ele onisciente? Não pode imaginar a merda que ele fez nos séculos vindouros por ter se omitido? Uma palavra só que fosse contra a escravidão seria suficiente. Mas ela não existe. Não aconteceu. Pelo contrário, vemos como ele também apoiava a relação servo-senhor, várias vezes na bíblia.

Jesus e a escravidão:

Jesus, em uma de suas 'belas' parábolas, usa especificamente a tortura de escravos para exemplificar como será (seria?) o castigo para as pessoas na sua volta: aquele escravo que não sabia o que devia fazer e fez errado, receberá menos açoites, já aquele que sabia o que fazer e mesmo assim fez errado, receberá mais açoites. Vejam a tranquilidade com que Jesus fala de bater em escravos. Ele estava plenamente confortável com a idéia de que um escravo podia ser surrado, mesmo que ele não soubesse o que era para fazer!

Lucas,12:47Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites
Lucas,12:48Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.

Em outra ocasião, Jesus também usa a relação escravo-senhor para dizer que um escravo não faz mais que a sua obrigação ao servir seu mestre (um senhor não precisa nem sequer agradecer pelos serviços que o escravo faz), da mesma forma que os discípulos não faziam mais do que a obrigação em fazer o que Jesus mandava:

Lucas,17:7 Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa?
Lucas,17:8 E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás?
Lucas,17:9 Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado?
Lucas,17:10 Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.

Em mais uma 'bela' parábola, Jesus compara o reino dos céus a um rei que vai cobrar os seus escravos, e quando eles não tem dinheiro, com a maior naturalidade do mundo, manda vender a ele, sua mulher e seus filhos!

Mateus,18:23Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos
Mateus,18:24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos
Mateus,18:25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.

Ou seja, Jesus não via nenhum problema em vender os filhos como escravos. Afinal de contas ele era judeu, e já vimos anteriormente que a lei mosaica permitia vender a família para pagar dívidas.

Você acha que alguém que compara o reino dos céus com um sistema escravocrata seria contra a escravidão? Faz sentido dizer uma sandice dessas? Existem outras oportunidades onde Jesus usou servos como exemplo e podia ter falado contra a escravidão. Também é claro que ele entendia a diferença entre escravos e trabalhadores contratados, principalmente na parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20, 1-16) e a dos lavradores maus (Mateus 21, 33-45).

Paulo e a escravidão:

Uma das mais famosas frases usadas por escravocratas é a infame frase de Paulo que ordena os escravos a obedecerem seus senhores da mesma forma que eles obedecem a Cristo:

Efésios,6:5 Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo,

Outras passagens que ensinam o comportamento próprio dos escravos para seus senhores e vice-versa:

Colossenses,3:22 Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor.

Colossenses,4:1 Senhores, tratai os servos com justiça e com eqüidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.

1Timóteo,6:1 Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados.

Tito,2:9 Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; não sejam respondões
Tito,2:10 não furtem; pelo contrário, dêem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador.

É inconcebível alguém ler esses tópicos e não ver que Paulo considerava a escravidão como algo normal, corriqueira, e consequentemente, natural, correta. O único conselho de Paulo aos senhores escravistas é que tratassem bem seus escravos. Para Paulo, um cristão podia ter escravos e ainda assim ir para o céu. Bastava uma palavra, uma única palavra para libertar os escravos, e toda a história do mundo ocidental poderia ter sido diferente.

Pedro e a escravidão:

Pedro, a "pedra" da igreja, não só apoiava a escravidão, mas ensinou os escravos a serem submissos a seus senhores. E daí que vocês são esbofeteados, injustiçados e sofram na mão de perversos senhores que se acham superiores a vocês? Nada disso importa, porque Jesus também sofreu. E ele sofreu por vocês, de modo que vocês também tem que sofrer. Entenderam a lógica? Não? Eu também não.

1Pedro,2:18 Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso;
1Pedro,2:19 porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus.
1Pedro,2:20 Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.

Como alguém tem a cara de pau de dizer que a bíblia não aprova a escravidão? Em nenhum momento é dito algo como: "Não tenham escravos", "libertem seus escravos" ou "ter escravos é abominação". Não, para os personagens bíblicos, ter escravos era algo natural, e consequentemente Deus considerava a escravidão algo natural.

Conclusão:

Podemos concluir que todas aquelas pessoas que viveram nos séculos passados, e que se embasaram na bíblia para apoiar a escravidão, não estavam interpretando a bíblia incorretamente. Pelo contrário, estavam apenas fazendo exatamente aquilo que o deus deles tinha autorizado a fazer. A lei mosaica dada por deus apoiava a escravidão, Jesus apoiava a escravidão, e os apóstolos apoiavam a escravidão. É difícil para os cristãos de hoje entenderem isso, porque eles não estão acostumados a ver a bíblia pelo que ela é, e sim por aquilo que eles querem que ela seja. Mas não adianta, a moralidade que a bíblia prega não vale mais para os dias de hoje. Nós já superamos essa moralidade, melhoramos, evoluímos, aprendemos, e apesar de tudo ainda temos que amadurecer mais, para deixar crenças imbecis onde elas devem ficar: no passado. Não precisamos mais delas. Elas são obsoletas. Nós podemos fazer melhor. Basta abrir os olhos e querer.

A bíblia e a escravidão I - O Velho Testamento

"A escravidão foi estabelecida por decreto do Deus Todo-poderoso... ela é sancionada pela bíblia em ambos os testamentos, desde Gênesis até Apocalipse... ela existiu em todas as eras, encontrada entre pessoas das maiores civilizações, e nas nações com as maiores proficiências das artes." - Jefferson Davis, presidente dos Estados Confederados da América.

Cristãos entram em terreno pantanoso quando se fala de escravidão na bíblia. Isso porque eles sabem muito bem que ela não só permite, mas até regulamenta a escravidão. Não há como negar isso. O máximo que eles podem fazer é dizer que a escravidão valia apenas para aquela época antiga, e hoje já não vale mais.

Isso, não precisa nem dizer, é uma besteira sem tamanho. Sabemos disso, tanto que até os anos 50 ela ainda era usada para defender a escravidão e o preconceito nos Estados Unidos.
Para os crentes que acham que as leis de escravidão não valem mais, devo lembrar das palavras de Jesus sobre a validade da lei:

Mateus,5:17Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.

Como podem dizer na cara dura que partes da lei mosaica não valem mais, aquelas que são inconvenientes para eles, ao mesmo tempo que dizem que o versículo acima é verdadeiro? Esse é um mistério que só pode se explicado pela desonestidade intelectual em que vivem os crentes.
Os versículos que regulamentam a escravidão foram supostamente ditados diretamente por deus, como estatuto perpétuo, de modo que não há como dizer que ele não apóia a escravidão. E se ele apoiava antes, e agora não apoia mais, então ele mudou de idéia, coisa que também não pode fazer, segundo esse outro versículo aqui:

Malaquias 3:6Porque eu, o SENHOR, não mudo;

E se ele apoiava a escravidão apenas porque era o costume do povo, e porque agora os nossos costumes são diferentes, então deus não apoia mais, isso significa que a vontade de deus muda de acordo com a vontade dos homens. Não é deus quem dita as regras, e sim os homens, e deus apenas vai na onda do momento (como ateu, eu sei que é isso o que acontece. Não é deus quem dita as regras, porque ele não existe, e sim os homens, que mudam de opinião com o tempo. Mas por mais óbvio que isso pareça, mesmo assim os crentes não percebem).

Então, chega de conversa. Vamos para os versículos. Por enquanto, apenas do Velho Testamento. Trataremos do novo em um artigo posterior. Lembrem-se de se imaginar na pele de um escravo naquela época, e imaginando alguém falando esses versículos como uma voz estrondorosa vindo dos céus, e me digam que não é óbvio que o deus da bíblia foi inventado por seres humanos...

Sobre surras em escravos:

Era permitido bater e torturar escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que se tomasse cuidado para não lhes arrancassem os dentes ou furassem os olhos. O dono do escravo não poderia bater até a morte, mas se ele surrasse a ponto de que ele vivesse por pelo menos dois dias, não teria problemas, pois afinal de contas, o escravo era propriedade dele.

Êxodo,21:20 Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado;
Êxodo,21:21Porém se sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro seu.

Êxodo,21:26E quando alguém ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o danificar, o deixará ir livre pelo seu olho.
Êxodo,21:27E se tirar o dente do seu servo, ou o dente da sua serva, o deixará ir livre pelo seu dente.

Sobre compra e venda de escravos:

Um pai pode vender a si mesmo ou seus filhos para saldar dívidas. É isso mesmo, querem que você acredite que essa lei veio direto da boca de deus. Deus não parece se importar se os filhos concordam ou não em se tornar escravos sem direito a escolha.

Êxodo,21:7 E se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos.

Você pode comprar seu próprio irmão como escravo, se ele foi vendido devido a pobreza, mas aí não pode tratá-lo como servo, e sim como um trabalhador contratado. Ele não pode ir embora, mas você deve libertá-lo no Ano do Jubileu, que ocorre a cada 50 anos. Ou seja, o cara provavelmente teria que trabalhar a vida inteira para seu irmão.

A bíblia não fala o que fazer se você comprar sua irmã como escrava.

Levítico,25:39 Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo.
Levítico,25:40 Como diarista, como peregrino estará contigo; até ao ano do jubileu te servirá;

Sobre emancipação de escravos:

Escravos podiam ser libertos depois de 6 anos de serviços, mas somente se eles fossem hebreus.

No entanto, se o dono deu uma mulher ao escravo para ser sua esposa, ela e os eventuais filhos teriam que ficar, porque eles são propriedade do dono. Assim, o escravo seria obrigado a abandonar sua família se quisesse ser livre (uma razão óbvia para essa lei, já que os escravos provavelmente escolheriam ficar).

Se os escravos fossem de nações vizinhas ou comprados de estrangeiros, eles permaneciam cativos para sempre, a não ser que o dono quisesse libertá-los.

Quando um pai vende uma filha como escrava, as passagens sobre sua emancipação são contraditórias. Em uma é dito que o homem e a mulher hebreus são libertos igualmente após seis anos:

Deuteronômio,15:12 Quando teu irmão hebreu ou irmã hebréia se vender a ti, seis anos te servirá, mas no sétimo ano o deixarás ir livre.

Porém em outra é dito que uma filha não será liberta da mesma forma que os escravos homens. Se ela não agradar (sexualmente) seu dono, poderá ser comprada de volta por outro hebreu. Se ela se casar com o filho do dono, terá que ser tratada como nora. Se o filho arrumar outra mulher, não será diminuido o mantimento da primeira. Mas se nada disso for possível, ela terá que ser liberta, sem dinheiro algum. Ela estará livre, porém abandonada.

Êxodo,21:7 E se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos.

Todos os escravos homens hebreus serão libertos no ano do Jubileu. As escravas mulheres, novamente, não é claro, depende de qual verso você lê. Escravos não-hebreus não tem a mesma sorte. Eles serão cativos pela vida toda.

Sobre o estupro de escravas:

Se um homem violenta uma escrava que for casada, basta ele oferecer um animal como sacrifício no templo e nada mais. A versão King James diz que a escrava, no entanto, deverá ser chicoeada. Isso mesmo, ela será torturada por ter sido violentada, nada muito diferente que as leis do Talibã nos dias de hoje (em outras versões isso foi atenuado, dizendo que ambos devem ser açoitados). Então, cristãos, antes de criticarem o islamismo, lembrem-se que a moral bíblia não é muito diferente da islâmica. Vale notar que ela só não seria morta pelo "crime" de ter sido estuprada porque ela não é livre. Ou seja, só porque o dono dela ficaria no prejuízo.

A bíblia não fala nada sobre escravas solteiras, então assume-se que poderiam estuprá-las à vontade.

Levítico,19:20 E, quando um homem se deitar com uma mulher que for serva desposada com outro homem, e não for resgatada nem se lhe houver dado liberdade, então serão açoitados; não morrerão, pois ela não foi libertada.
Levítico,19:21 E, por expiação da sua culpa, trará ao SENHOR, à porta da tenda da congregação, um carneiro da expiação,
Levítico,19:22 E, com o carneiro da expiação da culpa, o sacerdote fará propiciação por ele perante o SENHOR, pelo pecado que cometeu; e este lhe será perdoado.

Sobre escravizar mulheres cativas:

Se em alguma nação cativa você ver uma mulher bonita, você pode pegá-la para si, bastando fazer um simples ritual. Faça o seguinte: após matar seus pais, leve-a contigo para a sua casa. Raspe a cabeça dela, corte as unhas, e tire a roupa dela. Deixe-a de luto por seus pais por um mês. Depois de um mês, você pode estuprá-la à vontade. E se ela não lhe agradar, pode mandá-la embora com uma mão na frente e outra atrás. Apenas não a venda para outro, que aí seria sacanagem demais...

Deuteronômio,21:10 Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e o SENHOR teu Deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros,
Deuteronômio,21:11 E tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares, e a tomares por mulher,
Deuteronômio,21:12 Então a trarás para a tua casa; e ela rapará a cabeça e cortará as suas unhas.
Deuteronômio,21:13 E despirá o vestido do seu cativeiro, e se assentará na tua casa, e chorará a seu pai e a sua mãe um mês inteiro; e depois chegarás a ela, e tu serás seu marido e ela tua mulher.
Deuteronômio,21:14 E será que, se te não contentares dela, a deixarás ir à sua vontade; mas de modo algum a venderás por dinheiro, nem a tratarás como escrava, pois a tens humilhado.

Tenham em mente que essas maravilhosas lei divinas foram ditadas diretamente por deus!
Para finalizar, vou deixar as belas palavras do Rabino M. J. Raphall (1861) falando sobre os dez mandamentos, que tratam os escravos (e a mulher) exatamente como propriedades, tal qual um jumento ou um boi:

".. sob a mesma proteção como qualquer outra espécie de propriedade legal... que os dez mandamentos são a palavra de D-us, e para tanto, da maior autoridade, é aceita por cristãos e judeus... como se atreve, sob a sanção e proteção fornecidos pela propriedade de escravos dos dez mandamentos, como se atreve você a denunciar a escravidão como pecado? Quando você se lembra de Abraão, Isaque, Jacó, Jó - os homens com que o Todo-poderoso conversou, cujos nomes ele enfaticamente conecta com o seu mais santo nome, e para quem ele ele dedicou o caráter de ‘homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal. ‘(Jó 1:8) - que todos esses homens eram escravistas, isso não soa para você como culpado por algo muito parecido com blasfêmia?"


Êxodo,20:17 Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Continuaremos a falar de escravidão no novo Testamento na parte II desse estudo.