quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Gigantes da bíblia: encerrando o caso


Um tema recorrente em vários debates com cristãos é o assunto dos gigantes na bíblia, e aqui nesse blog não é diferente. Muitas vezes, mais por pura inocência, são apresentadas "provas" de que eles realmente existiram, como nesse link, e tantos outros que usam as mesmas fotos e os mesmos argumentos. Na verdade, um é o plágio do outro, e todos copiados de sites criacionistas americanos.

Já pretendia abordar o assunto antes, e como ele foi citado em um dos comentários nesse blog, resolvi aproveitar a oportunidade.

Abaixo estão os principais argumentos daqueles que defendem a existência de uma raça de gigantes no passado.

O que a bíblia diz dos gigantes

Gênesis 6, 4 Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.

A primeira citação de gigantes na bíblia é um tanto obscura e de difícil interpretação. Fala-se de filhos de Deus possuindo as filhas dos homens. Porém a grande maioria das denominações cristãs interpretam esses versículos como anjos caídos copulando com mulheres comuns, e os seus descendentes seriam os gigantes, ou, pelo menos, pessoas poderosas e de destaque na antiguidade.

Números 13, 33 Também vimos ali gigantes (os filhos de Anaque são descendentes de gigantes), e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos.

Essa passagem se refere aos espiões enviados por Moisés a Canaã. Aqui eles parecem petrificados de medo ao ver um uma quantidade numerosa de gigantes - talvez uma população inteira?

Josué 13, 12 todo o reino de Ogue, em Basã, que reinou em Astarote e em Edrei, que ficou do resto dos gigantes, o qual Moisés feriu e expulsou.

De qualquer modo, Moisés não se intimidou, atacando Canaã e expulsando os gigantes. Os que restaram (deviam haver muitos!) Josué terminou de exterminar.

Deuteronômio 3:11 (Porque só Ogue, rei de Basã, restou dos refains; eis que o seu leito, leito de ferro, não está, porventura, em Rabá dos filhos de Amom, sendo de nove côvados o seu comprimento, e de quatro, a sua largura, pelo côvado comum?).

Uma passagem interessante, onde a cama de um dos restantes dos gigantes (aqui chamados de refains, ou nefilins em outras bíblias) foi guardada como troféu. Segundo a NIV, a cama mediria quatro metros de comprimento por um e oitenta de largura.

2 Samuel 21, 16 Isbi-Benobe descendia dos gigantes; o peso do bronze de sua lança era de trezentos siclos, e estava cingido de uma armadura nova; este intentou matar a Davi.

Depois dessas passagens os gigantes ainda são citados, mas começam a ficar mais escassos. Os que aparecem daqui em diante são apenas alguns descendentes que restaram. Golias, o mais famoso deles, teria 2,9 m de altura, segundo diz I Samuel 17:4.

Fica claro então que a bíblia considerava os gigantes bem reais, existiam em grande número no passado, eram pessoas poderosas ou guerreiros valentes e assustadores, e descendentes - segundo algumas interpretações - de uma união sobrenatural entre anjos e mulheres.

A história por trás da escultura de Joe Taylor


A imagem do fêmur gigante esculpido por Joe Taylor é um dos argumentos mais usados para provar a existência de gigantes, sendo que muitas vezes a pessoa que repassa a história nem sabe que se trata de um molde esculpido, e diz que aquele é um fêmur original de gigante.

Bom, a história original não nega que se trata de um molde fabricado. Segundo conta, um tal de Jack Wagner encomendou o fêmur com base em uma carta obscura, de quem ninguém conhece o autor, dizendo que encontrou em uma viagem à Turquia, próximo do Eufrades, "tumbas de 4 metros de comprimento", mas que foram convenientemente destruídas por estradas e construções. A história também diz que esse autor misterioso escavou as tumbas do rei Nabucodonosor, e encontrou ossos de gigantes que eram "feito esponja" e "se desfaziam como cinzas" ao toque. Ora, quanta conveniência! Sério, todo esse argumento de fêmur de gigantes se baseia em uma carta anônima de uma história fantástica sobre ossos que se desintegravam e tumbas que não existem mais!

Lamento, nada disso vale como prova de nada além de que a vontade do ser humano de acreditar é realmente surpreendente.

As pegadas gigantes do rio Paluxi

Diferentemente que os moldes feitos por Joe Taylor, sabe-se que as pegadas de gigantes do rio Paluxi são fabricações com o intuito original de se passar por autênticas.

Sabe-se de pelo menos três pegadas desse tipo que ainda existem nos dias de hoje. Com cerca de 45 cm de comprimento, todas elas possuem características em comum que denunciam que se tratam de moldes esculpidos.

A pegada Burdick. Erros anatômicos
e análise da rocha evidenciam a fraude.

O primeiro fato é que todas as pegadas só aparecem já "extraídas" nas rochas em que estão encravadas. Nunca é mostrado o leito ou sítio arqueológico onde elas foram encontradas. Isso por si só já invalida a autenticidade delas como evidência de qualquer coisa.

Há vários erros anatômicos claros e indiscutíveis com relação ao desenho dessas pegadas. E como elas possuem cantos nítidos e bem delineados não é possível usar a desculpa de que as anomalias foram causadas por escorregões, deformidades na lama, desmoronamentos, etc. O problema maior nem é o tamanho das pegadas em si, já que pés desse tamanho podem ser encontrados hoje em dia. O problema maior são as desproporções anatômicas.

Clifford Burdick, com uma
pegada de gigante e de
um dinossauro, ambas
esculpidas em pedra.
Por exemplo, a pegada Burdick, como uma delas ficou conhecida, é larga demais na planta do pé, e estreita demais no calcanhar, dando um aspecto quase triangular a ela. A depressão dos dedos são longas demais, e o dedão é fino demais. O comprimento dos dois dedos menores são grandes demais, quase o dobro do tamanho do esperado. Em uma pegada normal eles apareceriam apenas como simples pontos. Se traçarmos uma linha imaginária pelas pontas dos dedos, ela seguiria praticamente em linha reta, ao invés do um trajeto curvilíneo decrescente normalmente esperado. A curva da planta do pé é grande demais, muito próxima dos dedos, formando uma bola desproporcional e esquisita.

Alguém poderia dizer que a pegada de um gigante não precisa ter as mesmas proporções de um humano, mas mesmo assim, por mais que as proporções de um gigante variassem, as variações seriam o oposto daquelas encontradas nas pegadas. Por exemplo, os dedos de gigantes tenderiam a ser grossos e curtos, e não finos e longos, enquanto o calcanhar não seria tão mais fino que a planta do pé, para conseguir suportar o peso maior. Como a antropóloga Laurie Godfrey disse, ao analisar as pegadas, o escultor "não apenas fez um trabalho pobre ao reproduzir as proporções de um pé humano, como ele também errou na direção oposta".

Ainda há evidências de marcas de punção nas pegadas. Além disso, marcas de algas indicam que as pegadas foram esculpidas no lado inferior onde a rocha se encontrava originalmente (como alguém faria uma pegada do lado de baixo de uma pedra?). Para finalizar, as linhas estatigráficas do substrato onde as pegadas se encontram deveriam ter sido afetadas pelo peso do "gigante", o que não é o caso em nenhuma das pegadas, provando que elas foram esculpidas na rocha bruta.

Enfim, é sabido que essas pegadas são falsificações. Até mesmo o site criacionista Answer in Genesis recomenda que criacionistas não usem mais esse argumento como evidência de gigantes.

Mais informações, outras evidências de fraude, bem como argumentos que apontam o possível autor dos moldes podem ser encontrados no site Talk.Origins e Paleo.cc.

O gigante fossilizado irlandês

Essa história é ainda mais mal contada da do fêmur esculpido por Joe Taylor.

Em 1895 apareceu em Coutry Antrim, Irlanda, um "gigante fossilizado", que teria 3,6 metros de altura. Ele foi transportado até Londres, onde foi fotografado e publicado em uma revista chamada The Strand. Logo após a fotografia, ele sumiu sem deixar vestígios. Nenhum cientista chegou a examinar o gigante. Assim, a única coisa que temos é uma fotografia. Então, somos obrigados a trabalhar com o que temos.

O gigante fossilizado irlandês

1. Um gigante aparecer e desaparecer do nada por si só já é suspeito. Ele poderia ser qualquer coisa, até mesmo uma escultura. Na verdade, ele é muito parecido com o gigante Cardiff, como foi conhecida uma estátua produzia poucos anos antes, em 1869. O gigante Cardiff enganou muitas pessoas, levando-as a pagar entradas para ver as exibições daquilo que seria a prova de Gênesis 6:4, até ser desmascarado. Mas aí seu criador, George Hull, já tinha enriquecido. Outra cópia do gigante Cardiff foi reproduzida por Phineas T. Barnum, e atraiu ainda mais multidões que o original. Seria esse gigante fossilizado irlandês outra tentativa de aproveitar o filão?

O gigante Cardiff, uma estátua que enganou muita gente, pode ser visto até hoje no Farmers' Museum em Cooperstown, NY. Inspiração para o gigante irlandês?

2. A perspectiva da fotografia parece fazer parecer que o gigante é bem maior do que realmente é. Será que ele é realmente maior que o vagão atrás dele, ou a fotografia foi tirada de um ângulo que fez parecer que a estátua é imensa? Será que a própria fotografia é um fake de um fake?

3. A revista Strand naquela época era uma revista britânica de histórias de ficção. Publicou as primeiras aventuras de Sherlock Holmes, além de quebra-cabeças e diversões. Alguns de seus exemplares podem ser lidos on-line aqui.

Enfim, por esses motivos podemos crer com tranquilidade que a "múmia petrificada" ou o "gigante fossilizado", como quer que ele seja chamado por aí, não passa de mais um fake para enganar os crédulos do passado e da atualidade...

Montagens fotográficas

Uma coisa deve ficar clara: em ciência apenas imagens fotográficas isoladas não servem como prova. Ainda mais nos dias de hoje, com os recursos de computação gráfica que estão à disposição de qualquer um para fazer montagens do jeito que quiser.

Tenham certeza, se um esqueleto de gigante um dia for encontrado - por mais improvável que possa ser - precisará passar pelo mesmo rigor científico que todas as outras descobertas passam. Deve estar disponível para ser analisado por equipes independentes, ser objeto de estudo com peer review em artigos científicos, etc. Isso só já eliminaria todos os casos de gigantes vistos até aqui, mas fica ainda mais evidente se a única coisa que temos são fotografias, facilmente manipuláveis por programas de edição de imagens.

Abaixo veremos alguns exemplos popularmente usados como argumentos, bem como a fotografia original usada como base. Interessante que uma delas nunca teve a intenção de ser usada como autêntica foto de gigante: ela foi uma montagem feita para um concurso do site Worth1000. Somente depois - por ignorância ou ma fé - alguém passou a associá-la com os gigantes bíblicos, passando-a como se fosse verdadeira, e a idéia se espalhou.

Imagem usada no concurso de montagens Worth1000 em 2002.
O tema do concurso era "gigantes".

Imagem original usada pelo autor da foto acima.

Montagem de um crânio.

Imagem original.

Gigantes modernos

Uma última tentativa de justificar os gigantes da bíblia é mostrar fotografias de pessoas extremamente altas, e que geralmente sofrem de uma doença chamada gigantismo. É verdade que o gigantismo produz pessoas muito altas, mas será que serve como argumento para a existência dos gigantes bíblicos?

Sultan Kösen, o homem mais alto do mundo ainda vivo, com 2,51m.
Precisa de muletas para caminhar, e se cansa facilmente se ficar de pé. 

Robert Wadlow, o homem mais alto que já existiu, com 2,72m.
Mal conseguia sentir as pernas, precisava de aparelhos ortopédicos para poder ficar de pé.

Primeiramente, o gigantismo é uma doença causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento, geralmente provocada por um tumor benigno na glândula pituitária. Os sintomas incluem dores de cabeça, náuseas e distúrbios visuais provocados pela pressão do tumor nos nervos do cérebro e dos olhos. O crescimento anormal do esqueleto provoca ossos fracos, apesar de terem que suportar um maior peso, e inchaço nos ligamentos. Também provoca falta de ar, porque os pulmões precisam oxigenar mais sangue, e problemas no coração, que precisa bombear mais para um corpo maior.

Ou seja, por essas características, pessoas que sofrem de gigantismo não poderiam ser bons guerreiros! Da mesma forma, é possível que houvesse alguém que sofresse de gigantismo na época dos patriarcas hebreus, mas ela é uma doença rara e debilitante. Seria muito improvável que fosse comum a ponto de formarem um exército de gigantes, como os mencionados na bíblia.

E ninguém em sã consciência acredita que alguém com tumor na glândula pituitária seja fruto da relação sexual entre um anjo caído e uma mulher da Terra!

Conclusões

Então vemos que a necessidade de acreditar nas histórias bíblicas faz com que as pessoas mais crédulas sejam enganadas facilmente por fraudes durante anos.

O que provavelmente deve ter acontecido, apesar de não haver provas, é ter havido alguns povos de nações estrangeiras terem uma estatura um pouco superior ao dos hebreus. Isso seria perfeitamente possível. Talvez isso os impressionou a ponto de serem inclusos em suas escrituras - com um óbvio exagero poético para enfatizar a superação de um obstáculo difícil - o que permaneceu até hoje.

Mas de modo algum houve uma "nação de gigantes". Não há vestígios arqueológicos em nenhum lugar que mostre que eles tenham existido em grande número em nenhum tempo. A busca por eles sempre se resumiu a frustração e, eventualmente, a fraudes com o objetivo de fama e lucro.

PS.: Esses são as histórias de gigantes mais comuns encontradas na net. Se alguém souber de outra e quiser que eu inclua nesse artigo, me avise nos comentários.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tim Minchin - The Good Book (Legendado)

A bíblia com peças de Lego: cristãos acham violenta e vulgar

Brendan Smith, que há mais de dez anos produz ilustrações de passagens bíblicas com peças de Lego para o seu site The Brick Testament, teve a última versão do seu livro de histórias bíblicas banido das prateleiras da Sam's Club, uma das maiores redes de departamentos dos Estados Unidos.

O motivo, ironicamente, foram as constantes reclamações de cristãos que compraram o livro para os seus filhos, mas a consideraram "muito violenta e vulgar" para elas, apesar de que as ilustrações e citações são retiradas diretamente da bíblia, sem alterar nem esconder nada.

Aqui tem alguns exemplos, para quem não conhece, desse excepcional site:

Deus descansando no sétimo dia.

Ló entregando suas filhas virgens para uma gangue de estupradores.

Ló cometendo incesto com suas filhas.

Noé enchendo a arca.

O dilúvio.

Noé bêbado e nu após o dilúvio.
Abraão sacrificando seu filho.

A décima praga sobre o Egito: a morte dos primogênitos.

A história de Jó.

Leis sobre o que fazer em caso de bestialismo.

E homossexuais...

...e o que fazer com eles.

E muito mais, incluindo a vida de Jesus e o apocalipse. Certamente esse site torna a leitura da bíblia muito mais divertida.

A proibição chega a ser irônica de modo até perverso: essa é a inerrante palavra de deus que eles não gostam! Oras, é claro que é vulgar e violenta. É a porra da bíblia! Apenas fica evidente que nem eles acreditam - ou nem mesmo conhecem - o que está escrito ali.

Update: O negócio está dando o que falar. Alguns cristãos - talvez sem conhecer a história por completo - estão iniciando uma campanha para boicotar o Sam's Club, por causa do banimento do livro de histórias bíblicas, achando que se trata de perseguição religiosa. Enquanto isso,  alguns pastores estão dando o maior esporro neles, dizendo que inadvertidamente estão defendendo uma bíblia ateísta, e que o Sam's Club está fazendo um serviço a Deus ao banir o livro. Oras, The Brick Bible não tem nada de ateísta, é apenas a representação gráfica de passagens retiradas diretamente da bíblia!

Quando foi o chamado de deus a Abraão?

Antes dele habitar em Harã:

Atos 7:2 Estêvão respondeu: Varões irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, quando estava na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã,

Atos 7:3 e lhe disse: Sai da tua terra e da tua parentela e vem para a terra que eu te mostrarei.

Depois de habitar em Harã:

Gênesis 11:31 Tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; foram até Harã, onde ficaram.

(...)

Gênesis 12:4      Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.


Como vemos, Estêvão parece ter se enganado, pois gênesis diz claramente que Abraão foi habitar em Harã primeiro, e depois foi chamado por deus para sair de lá, quando tinha 75 anos.

domingo, 27 de novembro de 2011

Para que continuar?




Ataques com ácido em mulheres no Oriente Médio (imagens fortes)

Por mais bizarro que possa parecer para nós, esse tipo de ataque é relativamente comum no Oriente Médio, na Ásia e na África (as maiores concentrações de ataques estão no Paquistão, Bangladesh, Camboja, Nepal e Uganda). A Associação dos Sobreviventes do Ácido estima que 2700 mulheres e crianças foram vítimas nos últimos 10 anos.

Os ataques com ácido raramente matam, mas deixam profundas cicatrizes físicas e psicológicas nas vítimas, que geralmente ficam sem nenhuma assistência, abandonadas pela família e pela sociedade. Os motivos geralmente são baseados em pedidos de casamento rejeitados e disputas familiares. Tudo isso baseado em uma cultura misógina que se aproveita da opressão que as mulheres sofrem, onde elas não tem muita voz nem muitos direitos, e onde os culpados raramente vão a julgamento pelos seus crimes.

Irum Saeed, 30, sofreu queimaduras no rosto, costas e ombros quando um garoto
que foi rejeitado por ela a atacou com ácido no meio da rua.
Ela já passou por 25 cirurgias plásticas para tentar recuperar o rosto.


Shameem Akhter, 18, foi estuprada por três homens e atacada com ácido quando tinha 15 anos.
 Passou por 10 cirurgias plásticas.

Najaf Sultana, 16, aos 5 anos ela foi queimada com ácido pelo próprio pai enquanto dormia,
aparentemente porque ele não queria outra mulher na família. Depois do ataque ela ficou cega e foi
abandonada pelos pais, e agora vive com parentes. Passou por 15 cirurgias plásticas.

Kanwal Kayum, 26, aos 25 foi atacada com ácido por um rapaz com quem ela não quis se casar.
Não passou por nenhuma cirurgia.

Bushra Shari, 39, queimada com ácido pelo marido, do qual tentava se divorciar.
Passou por 25 cirurgias plásticas.

Saira Liagat, 26, segurando um retrato de como era antes de ser atacada na própria casa, aos 15 anos,  pelo marido que insistia que ela morasse com ele, apesar das famílias terem concordado em esperar
até ela terminar os estudos. Passou por 9 cirurgias plásticas

Munira Asef, 23, queimada com ácido aos 18 por um rapaz que queria se casar com ela.
Passou por 7 cirurgias plásticas.

Zainab Bibi, 17, sofreu queimaduras no rosto aos 12 anos ao se recusar a casar com um rapaz.
Passou por várias cirurgias plásticas.

Naila Farhat, 19, atacada com ácido aos 14 anos por um rapaz que queria se casar com ela.
Passou por várias cirurgias plásticas.

Shehnaz Usman, 36, queimada com ácido por um parente, por causa de uma briga familiar.
Passou por 10 cirurgias plásticas.

Memuna Khan, 21, queimada por um grupo de rapazes por causa de uma disputa familiar.
Passou por 21 cirurgias plásticas.

Shahnaz Bibi, 35, atacada com ácido por um parente por causa de uma disputa familiar aos 25 anos.
Nunca passou por uma cirurgia plástica.

Update: Fakhra Younus, outra mulher atacada com ácido, cometeu suicídio aos 33 anos, após o acusado, seu marido, ser inocentado das acusações. (Fonte)

Fakhra Younus, 33, cometeu suicídio após saber que seu marido foi inocentado de todas as acusações.

sábado, 26 de novembro de 2011

Johannine Comma: outra adição posterior

Uma das mais importantes passagens da bíblia, em I João 5: 7-8 - popularmente conhecida como Johannine Comma - também é considerada pelos estudiosos uma inserção posterior:

I João 5, 7 Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um


I João 5, 8 E três são que os testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.

A parte em destaque "no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra" não aparece na vasta maioria dos manuscritos gregos (na verdade, só aparece naqueles produzidos na idade média). Os manuscritos mais antigos que contém a passagem constam apenas na Vulgata Latina, e ainda assim só após o oitavo século da era comum.

Parte do Codex Sinaiticus, um dos mais importantes manuscritos existentes.  A parte em destaque é I João 5: 7-8, sem o Johannine Comma. A letra miúda é uma correção de um erro feita por um escriba.

Essa passagem é uma das favoritas entre os cristãos, pois é a única em toda a bíblia que fala explicitamente sobre a doutrina da Trindade, isto é, que existem três pessoas que formam a divindade. Sem ela, é necessário inferir indiretamente utilizando passagens diversas que mostrem que Cristo é Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo, e que, ainda assim, há apenas um único Deus.

Mas é consenso geral que essa passagem é considerada espúria. Na maioria das bíblias modernas ela está entre colchetes, com notas de rodapé informando que não consta nos manuscritos mais antigos. A Nova Versão Internacional foi ainda mais longe, tomou coragem e eliminou completamente o trecho duvidoso:

I João 5, 7 Pois há três que dão testemunho:


I João 5, 8  o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes.


Vemos que o que resta dos versículos até poderia ser interpretado como a trindade, mas fica obscuro demais para ter certeza (provavelmente por isso que o Johannine Comma foi adicionado, para esclarecer melhor uma interpretação particular feita pelos escribas).

De qualquer forma, essa passagem só permanece nas bíblias por tradição. Erasmus, o autor da primeira versão da bíblia impressa já feita, em 1516, não encontrou nenhum manuscrito grego que tivesse o Johannine Comma, e por isso o deixou de fora. Isso irritou os teólogos de sua época, que o acusavam de adulterar o texto para eliminar a doutrina da trindade e atacar a divindade de Cristo (mais ou menos como os evangélicos fundamentalistas de hoje acusam a NIV de fazer o mesmo). Stunica, que planejava sua própria versão da bíblia, fazia difamações públicas contra Erasmus e exigia que a passagem fosse incluída nas versões seguintes.

Erasmus, ingenuamente, disse que incluiria a passagem com uma condição: que seus opositores lhe apresentassem um manuscrito em grego que contivesse a passagem. E um manuscrito foi apresentado (produzido especialmente para a ocasião, diga-se de passagem, copiado do grego, com a parte do Johannine Comma traduzido do latin).

Erasmus não teve outra escolha a não ser manter a palavra e incluir o versículo nas versões posteriores, com base em um manuscrito feito especialmente para a ocasião no século XVI, e essa versão foi a base para o Novo Testamento que foi eventualmente usado na versão King James.

Isso mostra como era o comprometimento e o caráter daqueles que copiavam e mantinham os manuscritos ditos sagrados, que não tinham nenhum escrúpulo para alterar os textos de acordo com as suas vontades, seus interesses e suas crenças pessoais.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Igreja protestante promete a cura da Aids com água ungida

Pelo menos 6 pessoas que eram soropositivas morreram ao parar de tomar os remédios porque a igreja prometeu que seriam curados. É o que concluiu a investigação do Departamento de Saúde de Londres a respeito da igreja evangélica Sinagoga de Todas as Nações, que prometia 100% de eficiência na cura da doença. Eles usam água ungida para aspergir o rosto do fiel, enquanto é dito para frases para "expulsar o demônio".


Rachel Holmes, uma das pastoras, disse que se os sintomas persistirem é simplesmente porque o HIV está deixando o corpo. "Nós temos muita gente que contraiu o HIV. Todas estão curadas", continua ela. "Nós tínhamos algumas pessoas que voltavam dizendo 'Oh, eu não estou curado, a diarréia continua'. A gente interrompia ela e dizia 'Não, por favor, você está livre'."


Emannuel, outro membro da igreja, parou de tomar os medicamentos depois do pastor ter dito que ele estava curado.

Testemunhos no site da igreja diz que também "curaram" câncer, anorexia e doenças cardíacas.

Um vídeo gravado em segredo mostra a pastora explicando:


Ela diz no vídeo: "Se é o plano de Deus elevar a sua imunidade de volta ao normal, sem necessidade de tomar nenhum medicamento pelo resto de sua vida, o que nós sabemos que é a opinião médica, que é o melhor que eles podem fazer, não é?"

Isso que é em um lugar que é considerado "primeiro mundo", onde a educação e a saúde são exemplares, e ainda existe esse charlatanismo neopentecostal. Imaginem o estrago que igrejas como essas não fazem por aí e sequer ficamos sabendo. Eles estão matando a população, espalhando ignorância e superstição, e lucrando horrores com isso!

Informações com Dailymail.

PS.: Vale lembrar que no Brasil já temos a nossa cota de charlatães...



Jesus não ocultou nada do mundo?

Jesus diz que tem falado francamente ao mundo, e não ocultado nada:

João 18:20 Declarou-lhe Jesus: Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto.

Mas pedia para que seus discípulos não revelassem que ele era o Cristo:

Mateus 16:20 Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

Fica claro, João relata sobre um Cristo completamente diferente dos outros evangelhos!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Afegã é condenada a 12 anos de prisão por ter sido estuprada

Aos 21 anos, a afegã Gulnaz permanece na cadeia desde os 19, quando foi estuprada pelo marido de uma de suas primas. O crime foi de prática de sexo fora do casamento - adultério - mesmo que tenha sido contra a vontade dela. A pena dada foi de 12 anos de cadeia. A alternativa, segundo as autoridades que a julgaram, seria se casar com o estuprador (Já vimos que essa prática é ensinada também na bíblia, talvez como forma de "proteger a honra da família", já que os desejos da vítima não importam em nada).


Gulnaz preferiu a cadeia, mais por medo do que possa ocorrer com sua filha de 2 anos, fruto do estupro. Ambas, mãe e filha, correm risco de vida. Por ter desonrado a comunidade, sua própria família busca matá-la.

Por mais absurdo que possa parecer, esse tipo de condenação é comum no oriente médio, fruto de uma mentalidade bárbara e tão atrasada que parece ter parado no tempo.

Informações com a CNN.

Update: Após pressão internacional, a mulher foi libertada, após concordar em se casar com o estuprador. Autoridades afegãs dizem que a decisão do casamento foi escolha dela... mas até que ponto isso seria verdade? Não se pode confiar nesse tipo de justiça, onde a palavra da vítima não vale nada. Segundo ela, também, a pena inicial era de 2 anos, e após a apelação foi aumentada para 12 sem justificativa alguma.

Deturpações proféticas em Mateus IV - Nasceu de uma virgem?

Já vimos que a pessoa que escreveu o evangelho de Mateus gostava de deturpar as escrituras dos judeus para tentar provar que Jesus Cristo era o messias esperado, como em Mateus 2:15, Mateus 2: 16-17, Mateus 27:9,  e em algumas vezes simplesmente inventando escrituras que simplesmente não se encontram em nenhum livro profético da bíblia, como em Mateus 2:22.

Mas nenhuma foi tão descarada e tão mentirosa quando a que fala do nascimento virginal de Cristo, em Mateus 1:23.


Mateus 1:23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco. 

A "profecia" se refere a Isaías 7:14: 

Isaías 7:14 Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.

No entanto, a palavra "virgem" é um erro de tradução da palavra hebraica "almah", que significa "jovem moça". "Virgem" na verdade seria "bethula", como é usada nas outras partes do Antigo Testamento. "Almah" não é traduzida por "virgem" em nenhuma outra parte da bíblia inteira.

Além do fato da profecia não ser messiânica. Ela não fala de Jesus - que nunca foi chamado de Emanuel - e nem do messias. Ela se refere a Acaz, que ia entrar em guerra contra Efraim e a Síria. O sinal seria de uma moça que vivia naquela época ficaria grávida em breve, como prova de que Acaz prevaleceria sobre seus inimigos. O nascimento de um menino seria a prova de que Acaz poderia ficar tranquilo. Era esse era o sinal, e não de um Jesus que nasceria centenas de anos depois, quando Acaz já estivesse morto! Basta ler o capítulo para entender isso. Cristãos gostam de mencionar o contexto, mas ignoram completamente que o contexto aqui não tem nada a ver com Jesus.

E mais, se a palavra em questão fosse mesmo "virgem", então haveriam dois nascimentos virginais, o que nem os crentes acreditam que aconteceu.

Provavelmente houve um erro durante a tradução dos manuscritos hebreus para o grego na septuaginta, e o escritor de Matheus, desconhecendo o original hebraico, apenas propagou o erro. Mateus foi escrito para os gentios, que não conheciam as profecias hebraicas tão bem a ponto de reconhecer o erro, que permaneceu até hoje.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estamos nos últimos dias... há 2000 anos??

É verdade que após a suposta morte de Jesus Cristo cada geração sempre achou que estava vivendo nos últimos dias. Porém os cristãos dos primeiros séculos da era comum devem ter passado por maus bocados ao tentar explicar a demora, já que já vimos que estava escrito que Jesus disse que voltaria enquanto seus seguidores ainda estivessem vivos.

A questão então para Paulo, por exemplo, era tentar explicar por que a demora, já que os fiéis perceberam que as pessoas iam morrendo e nada de Jesus aparecer. E ao invés de dizer a verdade (de que nem em 19 séculos depois Jesus voltaria) Paulo, pelo contrário, também parecia acreditar que vivia nos "últimos dias":

Romanos 16:20 E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.

Paulo achava que o "fim dos séculos" já havia chegado a eles:

1 Coríntios 10:11 Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
  
Ele achava que ficaria vivo até a volta do Senhor:

1 Coríntios 15:51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos,

O Senhor está perto, achava ele:

Filipenses 4:5 Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.

Paulo achava que ia ser um dos que seriam arrebatados, antes de morrer: 

1 Tessalonicenses 4:15  Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem.
  
1 Tessalonicenses 4:17  depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.

Segundo Paulo, Jesus havia aparecido "no fim dos tempos, para aniquilar o pecado": 

Hebreus 9:26 Se assim fosse, Cristo precisaria sofrer muitas vezes, desde o começo do mundo. Mas agora ele apareceu uma vez por todas no fim dos tempos, para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo.

O dia está próximo, eles estavam vendo: 

Hebreus 10:25 Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.

Só mais um pouquinho:

Hebreus 10:37 pois em breve, muito em breve Aquele que vem virá, e não demorará.
  
Tiago também achava que o fim estava próximo:

Tiago 5:8 Sejam também pacientes e fortaleçam o seu coração, pois a vinda do Senhor está próxima.

Bem como Pedro:

1 Pedro 4:7 Ora, o fim de todas as coisas está próximo;

E também João:

1 João 2:18 Filhinhos, já é a última hora

E até hoje, depois de tanto tempo de enrolação e espera, nada de Jesus. É ou não é de rir na cara daqueles crentes que dizem que "estamos nos últimos dias"?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A história por trás da história da mulher adúltera

Esse é sem dúvida um dos episódios mais conhecidos da história de Jesus, talvez de toda a bíblia. Celebrada em cultos, missas, ensinada a crianças. Certamente é a passagem bíblica que mais ganhou versões para o cinema, de tão poderosa e atraente que ela é. Entrou até no filme "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson que, apesar de ser um relato apenas das últimas horas de vida de Jesus, incluiu a cena em um dos raros flashbacks no meio do banho de sangue.

A passagem inicia-se em João 8:1, e é bem familiar a todos: Jesus estava de boa, ensinando no templo, quando de repente aparecem alguns fariseus trazendo uma mulher com eles, alegando se tratar de uma adúltera, para que Jesus lhes dissesse o que fazer.

Tratava-se obviamente de uma armadilha. Se Jesus dissesse para soltá-la, o acusariam de violar a lei de Moisés, que ordenava o apedrejamento. Se dissesse para cumprir a lei, o acusariam de contradizer seus ensinamentos anteriores de amor e perdão.

No entanto, Jesus usou de extrema inteligência e malandragem para ver por cima da artimanha dos fariseus, dizendo uma das mais famosas frases da bíblia:

João 8, 7 (...) "Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra."

Que resposta certeira! Não apenas calou os fariseus, que um a um largaram suas pedras e foram embora, como tirou tanto Jesus quanto a mulher do aperto! É tão perfeita que até parece uma história inventada...

Mas... ela é! Da mesma forma que os doze últimos versículos de Marcos, estudiosos estão certos que essa passagem não passa de uma adição posterior, e não estava nos originais escritos pelo autor do livro de João!

Os motivos são praticamente os mesmos: essa passagem não está presente nos manuscritos mais antigos que foram preservados. Além disso, há outros problemas contextuais. Parece que esqueceram que não se comete adultério sozinho. Porém o homem que praticou adultério com a mulher nem sequer é mencionado. Ele deveria ser apedrejado junto com ela, pois é o que manda a lei de Moisés.

E a resposta de Jesus, apesar de à primeira vista ser perfeita, no fundo é bastante fraca. Qualquer fariseu estudado saberia que em nenhum lugar na lei de Moisés é dito que somente aqueles sem pecado podem participar do apedrejamento. Eles não desistiriam tão fácil! Bastava que os fariseus - que já estavam em fúria para matar Jesus - dissessem isso, que ambos Jesus e a mulher seriam mortos.

Além disso essa passagem gera uma contradição teológica séria com relação à função de Jesus, pois afinal de contas ele acabou não cumprindo a lei de Moisés. Se ele não cumpriu a lei então seu ministério não foi perfeito, e não poderia servir como sacrifício vicário para a expiação dos pecados da humanidade... logo, sua morte foi em vão, e a humanidade não pode ser salva por ele.

Esses motivos levam os estudiosos a estarem certos que essa passagem é na verdade uma adição muito posterior. Ela não está presente em nenhum dos manuscritos mais antigos, é uma história mal contada, que contradiz partes cruciais da doutrina cristã, além de usar palavras e estilos diferentes do utilizado pelo autor no resto do livro.

Mas como ela passou a fazer parte do evangelho? A teoria mais bem aceita é a de que se tratava de uma tradição oral não-oficial sobre Jesus, que em algum ponto foi adicionada na margem de um manuscrito. Dali em diante, algum escriba achou que a nota marginal fazia parte do texto oficial, e o adicionou logo após o fim do capítulo 7. Interessante notar que alguns escribas não sabiam ao certo onde adicionar a passagem, e acabaram colocando, em alguns manuscritos, após João 21:25, e outros, ainda mais interessantemente, após Lucas 21:38.

O que se sabe ao certo é que essa passagem tão famosa e tão querida pelos cristãos, seja lá quem foi que a escreveu, não estava presente nos originais.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Os 12 versículos adicionados de Marcos

Existem passagens bíblicas muito disputadas com relação à sua autenticidade, porém existem aquelas em que os estudiosos concordam que tratam-se de adições posteriores feitas por escribas. Uma das mais famosas são os doze últimos versículos do evangelho de Marcos.

Marcos 16:9 Quando Jesus ressuscitou, na madrugada do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios.

Marcos 16:10 Ela foi e contou aos que com ele tinham estado; eles estavam lamentando e chorando.

Marcos 16:11 Quando ouviram que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não creram.

Marcos 16:12 Depois Jesus apareceu noutra forma a dois deles, estando eles a caminho do campo.

Marcos 16:13 Eles voltaram e relataram isso aos outros; mas também nestes eles não creram.

Marcos 16:14 Mais tarde Jesus apareceu aos Onze enquanto eles comiam; censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o tinham visto depois de ressurreto.

Marcos 16:15 E disse-lhes: Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.

Marcos 16:16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

Marcos 16:17 Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas;

Marcos 16:18 pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados.

Marcos 16:19 Depois de lhes ter falado, o Senhor Jesus foi elevado aos céus e assentou-se à direita de Deus.

Marcos 16:20 Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam.

Há o consenso de que esses versículos não estavam nos originais. Não há polêmica quanto a isso. Um dos motivos mais fortes é que eles simplesmente não estão nos melhores e mais antigos manuscritos que foram preservados até hoje. Eles simplesmente não estão lá!

Eles apenas continuam presentes nas bíblias até hoje por tradição, e porque seria polêmico demais retirá-los agora. Porém a maioria das edições recentes incluem embaraçosas notas de rodapé que denunciam a inautenticidade desses versículos.

Existem ainda outros motivos que evidenciam a farsa. Maria Madalena é apresentada novamente no versículo 9 ("de quem havia expulsado sete demônios"), como se já não tivesse sido mencionada no primeiro versículo desse mesmo capítulo:

Marcos 16:1 Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus.

Além disso o estilo é diferente do usado em todo o resto do livro de Marcos, introduzindo palavras que nunca foram usadas antes pelo autor, além de práticas estranhas das quais Jesus jamais fez ou ensinou, como beber veneno ou pegar em serpentes (essas eram características típicas de alguns grupos cristãos encantadores de serpentes dos primeiros séculos da era comum).

Os motivos que levaram os escribas a forjarem esses versículos podem ter sido até bem intencionados, pois sem eles o livro termina de maneira abrupta:

Marcos 16:4 Mas, quando foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida.   

Marcos 16:5 Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita, e ficaram amedrontadas.   

Marcos 16:6 “Não tenham medo”, disse ele. “Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam posto.   

Marcos 16:7 Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: Ele está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão, como ele lhes disse.

Marcos 16:8 Tremendo e assustadas, as mulheres saíram e fugiram do sepulcro. E não disseram nada a ninguém, porque estavam amedrontadas.

Como é que é? Então as mulheres fugiram assustadas e não contaram a ninguém? Quer dizer que os apóstolos não ficaram sabendo da ressurreição de Jesus? Nem Jesus se encontrou com eles? Nem lhes disse o que fazer? Isso foi considerado impensável para alguns escribas, que acharam por bem incluir por conta própria um final mais decente, segundo eles, para o evangelho.

Dessa forma, uma das passagens mais usadas por evangélicos pentecostais, aquela que fala dos dons espirituais, passou a ser incluída nas escrituras.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quem se manifestou em carne?

Um exemplo de como erros de copistas podem ter implicações teológicas sérias pode ser visto na passagem de I Timóteo 3: 16, onde ocorre uma contradição entre manuscritos, e algumas bíblias, como a King James e no Brasil a Almeida Fiel traduzem dessa forma:

1 Timóteo 3:16 And without controversy great is the mystery of godliness: God was manifest in the flesh, justified in the Spirit, seen of angels, preached unto the Gentiles, believed on in the world, received up into glory. (Versão King James) 


1 Timóteo 3:16 E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. (Versão Almeira Fiel)

Enquanto outras vertem da seguinte forma:

1 Timóteo 3:16 E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória. (Versão Almeida Atualizada) 

E

1 Timóteo 3:16 Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória. (Versão Almeida Revista e Atualizada)

Essas últimas versões e todas as que seguem seu exemplo geralmente são duramente acusadas por lideres evangélicos fundamentalistas de "minar a divindade de Cristo", "enfraquecer a autoridade" e muitas vezes acusada até de trabalhar "em prol de Satanás". Afinal de contas esse é um dos poucos versículos onde é dito claramente que Jesus é Deus encarnado, e alguém que enfraqueça essa posição só pode ser contra Deus, não é?

No entanto a verdade é bem o contrário.

Johann J. Wettstein (1693-1754), controverso estudioso dos manuscritos bíblicos, foi um dos primeiros a ficar intrigado com essa passagem, e com as enormes implicações que suas conclusões trariam. As passagens que mostram "Deus se manifestou em carne" provém dos chamados Textus Receptus (TT), também chamados bizantinos, provenientes do século XII em sua maioria, existentes em grandes quantidades e em bom estado de conservação, e tidos na época como os mais confiáveis.

É comum nas passagens em grego os nomes sagrados - chamados nomina sacra - serem escritos abreviados com um traço em cima. Nesse caso, a palavra Deus (ΘΕΟΣ) é comumente escrita apenas como teta-sigma (ΘΣ)com um traço em cima indicando que se trata de uma abreviação. Esse de fato foi o caso nessa passagem, porém Wettstein reparou que em alguns manuscritos bizantinos o traço no meio da letra teta (Θ) e em cima da abreviação foi feita com uma tinta diferente do resto do texto. Dessa forma a palavra seria apenas omicron-sigma (ΟΣ) que simplesmente significa "aquele".

Wettstein foi então em busca de manuscritos mais antigos, entre eles o Codex Alexandrinos, datados de cerca do quarto século da era comum, em estado pior de conservação, porém considerados hoje melhores que o TT, justamente por estarem mais próximos dos originais, e confirmou que o texto em questão não atribui a divindade de Deus a Cristo! Ou seja, foi uma adulteração posterior deliberada feita por pessoas que queriam fortalecer a divindade de Cristo, e não o contrário!

Uma pequena mudança que tem implicações enormes, não acham?

Wettstein encontrou não apenas nessa, mas descobriu que em outras passagens no TT também foram alteradas de alguma forma para fortalecer a divindade de Cristo, como por exemplo em Atos 20:28 onde fala da "igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue" nos textos bizantinos, mas que nos textos alexandrinos é dito "igreja do Senhor, que ele resgatou com seu próprio sangue".

Ou seja, os argumentos de enfraquecimento da divindade de Cristo nas bíblias não passa de mimimi e chororô de cristãos que não conhecem a história por trás daqueles que alteraram a bíblia de acordo com seus próprios propósitos.

Fontes:

1 - Misquotin Jesus - The Story Behind Who Changed the Bible and Why - Ehrman, Bart D.
2 - Jhon James Wettstein, 1693-1754: An Account of His Life, Woek, and Some os His Contemporaries - C. L. Hulbert-Powell.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os incríveis animais vegetarianos

Segundo a bíblia, em mais um absurdo, todos os animais eram para ser vegetarianos:

Gênesis 1, 30 E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão. E assim foi. 

É isso aí. Lombrigas solitárias, pernilongos, morcegos vampiros, tubarões, tigres, leões, dinossauros, seguiam todos uma estrita dieta vegetariana.

Mas espere um pouco... toda a fisiologia desses animais mostra que isso não pode ser verdade. Grandes carnívoros possuem dentes pontiagudos e afiados, e estômagos adaptados à carne, parasitas vivem dos seus hospedeiros, etc.

A não ser que eles tenham mudado, mas... a Teoria da Evolução não é uma mentira? E mesmo assim, a evolução não funciona desse modo. Ela não age tão rápido assim. Para uma mudança dessas ocorrer precisaria de centenas de milhares de anos. A única solução seria se deus decidiu por milagre mudar a fisiologia dos animais, transformando alguns em carnívoros e outros em parasitas. Mas, por que ele faria isso? 

No fim, fica evidente que os escritores da bíblia não tinham a menor noção de como a natureza funciona.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ridícula fome mundial

Aparentemente, segundo a bíblia, houve uma fome em nível mundial, onde apenas o Egito, graças a José, tinha mantimentos suficientes não só para si, mas também para o resto da Terra! Os astecas, os maias, os incas, os chineses e os índios americanos e sul-americanos foram ao Egito pegar mantimentos com José!

Gênesis 41:54 e começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento. 


Gênesis 41:55 Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser”. 


Gênesis 41:56 Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito. 


Gênesis 41:57 E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

É óbvio aqueles que escreveram essa parte das escrituras não tinham idéia do tamanho da Terra, e de que existiam outros povos em outros lugares vivendo tão bem ou até melhor que eles.