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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mais um pastor evangélico prega a morte aos homossexuais

Depois que o pastor evangélico Charles L Worley pregou abertamente que gays deveriam ser colocados em campos de concentração e deixados lá para morrer, outro pastor americano saiu do armário do ódio e pregou que deveria haver pena de morte aos homossexuais, como já existe em outros países como Israel.

Com vocês, o pastor Kurtis Knapp, da igreja batista New Hope, localizada em Sêneca, Kansas:



"Eles deviam ser mortos. É o que aconteceu em Israel. É por isso que a homossexualidade não cresceu em Israel. Parece limitar conversões. Parece que limita que as pessoas saiam do armário. 'Oh, então você está dizendo que deveríamos sair por aí matando eles?' Não, eu estou dizendo que o governo deveria. Deveria, mas não vai.

'Eu não acredito, você é horrível, um neandertal atrasado'. Oh, é assim que você chama as escrituras? Deus é um neandertal atrasado em sua moralidade? Essa é a palavra dele ou não é? Se é a palavra dele então é idéia dele, não minha, e eu não me envergonho dela."

Não é incrível a naturalidade com que ele prega que o governo deveria matar homossexuais? Tipo assim, eles não vão, mas deveriam, sabe, cometer o genocídio de milhões de pessoas inocentes...

Pois bem, então temos aqui mais um pastor usando a bíblia para justificar atrocidades contra outros seres humanos, apenas por não seguirem as mesmas regras que eles. Esse é o motivo pelo qual os ateus se preocupam tanto com o que os religiosos pensam e fazem. Esse é o grande risco de colocar governantes com crenças ridículas e atrasadas no poder, porque nunca se sabe quais idéias mirabolantes um maluco desses pode ter com base em alucinações de nômades do passado com manias de grandeza.

Em seguida ele se justificou, mas não voltou atrás em nada do que disse, como podemos ver nesse vídeo fornecido pela CNN:



"Nós punimos a pedofilia, o incesto, nós punimos a poligamia, e várias outras coisas. É apenas a homossexualidade que é separada como uma exceção."

E ainda:

"Eu não acho que homossexuais tenham nada a se preocupar. Não acho que o governo vai fazer isso. Eles não tem nada com que se preocupar comigo. Eu não acredito que eu deveria encostar um dedo neles, e a minha esperança está pela salvação deles, e não a sua morte".

Então ele não deseja a morte deles, mas acha que deveriam ser mortos? Isso parece apenas uma desculpa esfarrapada para não ficar tão mau aos olhos da opinião pública.

E ainda cita Levítico 20:13 como fonte, mas alega que não deveria ser ele quem provocasse a matança, e sim o governo. Covarde hipócrita, se tivesse coragem ele próprio faria aquilo que prega, pois Levítico 20 fala claramente que é o povo quem precisa matar os pecadores por apedrejamento, e não o governo, como podemos ver por exemplo no versículo 2, que fala de sacrifícios humanos a Moloque:

Levítico 20:2 Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer que, dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, der da sua descendência a Moloque, certamente morrerá; o povo da terra o apedrejará.

E nos versículos 4 e 5 ainda dizem que se algum homem do povo ignorar o pecado cometido, o próprio deus se voltaria contra ele e sua família, extirpando-os do meio do povo (i.e., matando-os):

Levítico 20:4 E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os seus olhos daquele homem, quando der da sua descendência a Moloque, para não o matar,
Levítico 20:5 Então eu porei a minha face contra aquele homem, e contra a sua família, e o extirparei do meio do seu povo, bem como a todos que forem após ele, prostituindo-se com Moloque.


Então ele é apenas mais um crente hipócrita que escolhe ao seu bel prazer o que vale e o que não vale na bíblia. Usa-a para justificar seu preconceito e o seu ódio, mas não quer assumir a responsabilidade total de cometer os atos que o deus dele manda - que outra pessoa o faça! Assim é muito fácil!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Por que ateus tem tanta raiva?

Dois vídeos muito instrutivos, legendados em português, que explicam muito da "raiva" que os ateus sentem pelas religiões.

Recomendado a todos os crentes.

Parte 1:



Parte 2:



42 meninos mortos por duas ursas. Mais um milagre!

Essa é uma daquelas histórias que não vemos sendo contadas nos cultos e missas domingo de manhã. E não é para menos, pois muitos crentes sequer ouviram essa passagem um dia, e os que a conhecem preferem ficar quietos de vergonha.

Muitos ateus já devem conhecer essa história. Trata-se da passagem em que Eliseu, o profeta sucessor de Elias, que havia recém "subido aos céus em um redemoinho" (aham, senta lá, Cláudia), estava indo em direção a Betel, quando no caminho encontrou algumas crianças, as quais começaram a caçoar dele por causa de sua careca. Eliseu, testando seus novos superpoderes de profeta, não aceitou o bullying muito bem, e amaldiçoou as crianças "em nome do SENHOR", e eis que do mato saíram duas ursas, e desmembraram 42 daqueles meninos..

Certamente uma história linda para contar aos seus filhos!


2 Reis 2:23 Então [Eliseu] subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!
2 Reis 2:24 E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.
2 Reis 2:25 E dali foi para o monte Carmelo de onde voltou para Samaria.

Tem muita coisa que pode ser dita a respeito dessa história ridícula e grotesca.

A primeira, a mais óbvia, é a do caráter desse "homem de deus", que se enfurece por tão pouca coisa, e joga sua ira em crianças que sequer conheciam as consequências dos seus atos. E por causa do quê? De falta de cabelo? Um homem santo não deveria estar acima dessas coisas terrenas? E por que não dar apenas um susto nas crianças? Tinha que "despedaçá-las", como diz a bíblia?

Interessante, inclusive após o incidente, Eliseu não parece ter dado muita bola para o cenário de pedaços de crianças espalhados em meio a um banho de sangue. Apenas seguiu seu caminho tranquilamente para Betel!

Não se sabe ao certo se foi Eliseu quem enviou as ursas, ou se foi deus. A bíblia apenas diz que ele amaldiçoou as crianças. Mas isso não muda nada; se foi Eliseu, foi com a permissão de deus. Se foi deus, então a pequenez de espírito e falta de caráter é do próprio deus, por "se doer" por uma simples gozação de crianças.

Já houve crentes que disseram em suas tentativas de explicação que não se travam de crianças, mas de "anões". Desculpa esfarrapada, pois as palavras hebraicas usadas são "qatan na`ar", que significa "pequenos garotos", com idade variando entre infância e adolescência. E mesmo que fossem anões, faria alguma diferença? A passagem seria menos cruel ou repugnante?

Outra coisa que deve-se notar é como é que duas ursas conseguiriam apanhar 42 crianças. A não ser que elas fossem ursas ninjas sayajin with lasers from hell, é muito improvável que elas conseguissem realizar esse feito.

O fato é que esse número - claramente exagerado - não tem nada a ver com a realidade, pois o 42 é um número cabalístico especial para os israelitas antigos. A explicação é muito simples. Deus gosta do número 7, que significa a perfeição, plenitude, fim, acabamento. Na verdade essa preferência não veio de deus, e sim de influência pagã, a partir dos 7 corpos celestiais errantes que eram conhecidos na época, e eram considerados deuses: o Sol, a Lua, e os 5 planetas visíveis a olho nu, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. O politeísmo foi abandonado pelos israelitas, mas o número 7 continuou especial.

O número 6 então é considerado imperfeição, falta, defeito, e geralmente associado com o homem e com a maldade. 42 é o resultado de 6x7, ou seja, a perfeita maldade, representando o caráter daqueles meninos. Mostra o quão maus eram esses meninos, e como mereciam ser despedaçados por ursas selvagens (42 aparece em outras partes da bíblia, sempre associado de alguma forma com a maldade, em Juízes 12:5-6, 2 Reis 10:14, e Apocalipse 11:2 e 13:5).

Ou seja, é apenas uma história inventada, com a intenção de apresentar algum tipo de moral para as pessoas. Qual é essa moral? Oras, é essa aqui:



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não tenho fé para ser ateu - Introdução

Conforme prometido, daremos início então ao nosso estudo sobre o livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu", de Norman Geisler.

Norman começa seu livro falando sobre um de seus professores de faculdade. Nesse caso, em uma aula sobre religiões, o seu professor acertadamente seguiu o ponto de vista usual das universidades, que é a análise crítica-textual das escrituras bíblicas, ou seja, que Moisés não escreveu o Pentateuco, que os livros proféticos foram escritos após os eventos, e que inicialmente os judeus eram politeístas, mas que ao passar do tempo foram se tornando monoteístas, etc. É a linha usual das escolas atualmente.

Após alguns incidentes realmente desinteressantes para contar aqui, Norman alega que ao final do semestre ele ainda não tinha encontrado a resposta para a verdadeira razão de ter se matriculado naquela matéria: saber se deus existe.

Não sei se essa historia é verdade ou foi inventada só para dar um tom amistoso para o início do seu livro, porque me parece ingenuidade demais alguém se matricular em uma cadeira de seis meses numa universidade só para ter respondida a pergunta que vem incomodando a humanidade por milênios. Ele esperava mesmo que seu professor soubesse a resposta?

Ele alega espanto e indignação quando o seu professor humildemente diz que não sabe:

“Fiquei chocado. Senti vontade de repreendê-lo, dizendo: "Espere um minuto, você está ensinando que o AT é falso e nem mesmo sabe se Deus existe? O AT poderia ser verdade se Deus realmente existisse!". Mas, uma vez que as notas finais não estavam fechadas, resolvi pensar melhor. Em vez disso, simplesmente saí, frustrado em relação a todo aquele semestre. Ele poderia ter respondido com um "sim" ou um "não" sinceros, apresentando suas razões, mas não um "eu não sei".”

Então vemos a lógica de um apologista em ação. Para ele, não se poderia afirmar que o AT é falso sem antes saber se deus existe. Óbvio que isso não é verdade. Deus pode existir e o AT ainda ser falso. E pode-se provar que o AT contém vários erros históricos, matemáticos, erros de copistas, adulterações e falsificações propositais que podem ser estudadas sem a necessidade de fazer uma correlação a existência de deus como um todo. Pode-se ainda estudar o caráter desse deus em particular, e ver por exemplo que se ele alega não mudar nunca, mas em várias outras passagens ele muda de opinião e se arrepende, é óbvio que tem coisa errada na história. Esse deus em particular foi inventado, e não houve necessidade de provar se deus (o deus genérico que a maioria das pessoas acreditam) existe.

Em seguida, Norman passa para uma crítica às universidades que, segundo as palavras dele:

“...consideram todos os pontos de vista tão válidos como quaisquer outros, por mais ridículos que possam ser, com exceção do ponto de vista de que apenas uma religião ou visão de mundo possa ser verdadeira”.

Isso pra mim é mimimi e chororô de quem não consegue ter as suas idéias aprovadas em universidades e seminários históricos e científicos. É óbvio que qualquer um que for a uma universidade afirmando que é detentor da Verdade Absoluta e não for capaz de fornecer uma única evidência consistente para apoiar suas alegações vai e deve ser ridicularizado, seja ele cristão, islâmico, ou ateu.

Idéias para serem levadas a sério precisam passar pelo crivo científico, e não adianta os religiosos se sentirem perseguidos por isso, porque esse princípio vale para todos, bibliólatras, crentes da Terra oca, astrólogos, cientistas, etc.

Norman propõem em seguida uma analogia da vida com um quebra-cabeças no qual precisa-se montar as peças sem saber como é a imagem completa, sem olhar a “tampa da caixa”. Ele diz que religiões podem fornecer a tampa. É uma boa analogia, infelizmente errada. As religiões não tem essa capacidade.

Ele diz que as cinco perguntas mais importantes da vida são: “de onde viemos?”, “quem somos?”, “por que estamos aqui?”, “como devemos viver?” e “para onde vamos?”. Pode até ser, mas em seguida ele fala algo que é uma besteira sem tamanho:

“As respostas a cada uma dessas perguntas dependem da existência de Deus.”

Errado, não dependem, tanto que ateus podem responder essas perguntas relativamente bem e sem grandes problemas, e eles não dependem de deus nenhum. Certamente terei que discorrer sobre essas perguntas novamente depois, então não fazer isso agora. Apenas direi que simplesmente dizer que “foi deus quem quis/fez” não é resposta. Dessa forma, os ateus respondem essas perguntas melhor que os crentes. Mas veremos isso novamente depois.

“Se Deus existe, então existe significado e propósito para a vida.”

Norman já começa a soltar as velhas e batidas pérolas dos teístas. São esses os “incríveis” argumentos que veremos nesse livro? Francamente, esperava mais.

Vou simplesmente repetir aqui o que já explicava anos atrás para os cristãos que achavam que os ateus não tem um propósito para a vida: propósito, cada um faz o seu. E não necessariamente depende da existência de deus ou deuses nenhum. Os propósitos de cada um podem ser os mais variados possíveis. O propósito de alguém pode ser criar seus filhos no melhor ambiente possível. Para outros, pode ser sucesso em sua profissão, ser o melhor médico, advogado, engenheiro, professor, e contribuir para uma sociedade melhor. O propósito de outros pode ainda ser apenas paz de espírito. Ou encontrar o amor perfeito. Ou tudo isso junto. Ou, para muitos crentes, pode ser passar a vida inteira louvando algo que eles chamam de deus, e sonhar passar o resto da eternidade fazendo o mesmo.

O importante é: o seu propósito não precisa ser necessariamente igual ao meu. E se o seu propósito não é igual ao meu, não é motivo para dizer que eu não tenho propósito para a minha vida. Ou seja, se eu não sigo o seu propósito, não quer dizer que eu não sigo um propósito para mim mesmo. É de extrema arrogância pensar isso, e é algo comum entre os crentes.

“Se existe um verdadeiro propósito para sua vida, então existe uma maneira certa e uma maneira errada de viver.”

Aqui vemos a típica falsa dicotomia que geralmente está presente na apologia cristã. Então existe uma maneira certa e uma errada de viver, e, adivinhe, a maneira correta é a cristã, e a maneira errada são todas as outras.

Para os cristãos é muito prático colocar tudo em termos de preto e branco, certo e errado, santo e pecador, salvo e condenado. Mas é uma visão completamente equivocada. Não sabem eles que a vida é muito mais complexa do que isso, e nem tudo pode ser resolvido em termos de uma simples dualidade. É óbvio que um modo de vida pode ser mais correto do que outro, mas isso não significa que alguém que vive de forma diferente que a nossa necessariamente esteja vivendo em erro.


Norman continua:

“As escolhas que fazemos hoje não apenas nos afetam aqui, mas também na eternidade.”

Estava demorando para aparecer o bom e velho orgulho do ser humano, em se achar tão importante no esquema geral de coisas que ele se considera digno de sobreviver até à própria morte. “É claro que eu sou especial demais para ter um fim”. Esse apelo também tem a necessidade de atender ao nosso senso de justiça. O mundo é injusto, e para muitos de nós isso é inadmissível. É preciso haver alguma forma de compensação, algo que equilibre a balança, ainda que seja após a morte, ainda que seja algo totalmente inventado. Não, meu caro, o Universo não tem obrigação nenhuma de satisfazer nem a nossa sede de justiça nem o nosso orgulho. Se quisermos consertar as coisas, tem que ser aqui e agora, enquanto estamos vivos, porque após a nossa morte não fará diferença alguma.

“Por outro lado, se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada.”

Novamente a falsa dicotomia. Ou deus existe para que a nossa vida tenha sentido, ou podemos nos matar agora mesmo que não faz diferença alguma.

Seria extremamente triste se os ateus pensassem mesmo dessa forma, e deve ser por isso que muitos crentes dizem que “não existe ateus, e sim crentes que se revoltaram contra deus”, principalmente quando vêem ateus felizes e de bem com a vida. Para eles é impossível compreender como é que uma pessoa não precisa de deus e ainda ser feliz! “É claro que no fundo eles acreditam em deus, e estão apenas em negação”. Que tal isso para arrogância?

Não, ateus não acreditam em deus, e justamente por isso devem viver a vida ao máximo, pois ela será a única que terão. Não temos a esperança nem a pretensão de achar que viveremos para sempre após a morte, e não nos iludimos com historinhas de contos de fadas e wishfull thinking. Mas preferimos assim. Melhor a dura realidade do que a entorpecente ilusão. Isso não faz a vida "não significar nada", muito pelo contrário, ela faz da vida o bem mais precioso que qualquer pessoa já recebeu.

“Uma vez que não existe um propósito duradouro para a vida, não existe uma maneira certa ou errada de viver. Não importa de que modo se vive ou naquilo em que se acredite, pois o destino de todos é o pó.”

Essa é a parte mais assustadora dos fanáticos religiosos. Aqui, ele admite claramente que se deus não existe, então ele estaria cometendo toda sorte de crimes, já que para ele não faz diferença alguma. Então, a única coisa que o impede são as conseqüências futuras do pós-vida. Ou seja, ao invés de fazer o bem porque é o correto, ele faz apenas para preservar o próprio rabo!

Que belo caráter cristão hein? E isso é algo comum entre eles, é corriqueiro ver eles fazerem esse tipo de confissão.

Eu, pessoalmente, prefiro fazer o bem porque eu sei que estou ajudando as pessoas e construindo um futuro melhor para as futuras gerações, sem me preocupar com recompensas ou punições eternas. E depois os cristãos ainda se consideram moralmente superior aos ateus!

Norman, em seguida, faz uma explicação bem superficial sobre os problemas das religiões, na qual ele destaca a existência de milhares de religiões diferentes e conflitantes entre si, o problema do mal, e a indiferença de deus. Ele vai dar as suas respostas no decorrer do livro, então também não tratarei delas agora.

“Mas aonde tudo isso nos leva? Será que a busca por Deus e pela tampa da caixa da vida é vã? Deveríamos pressupor que não existe sentido objetivo na vida e que cada um inventa sua própria tampa da caixa? Deveríamos contentar-nos com a resposta "eu não sei" do professor universitário? Achamos que não. Cremos que existe uma resposta real. Apesar das fortes objeções que identificamos (as quais abordaremos nos capítulos seguintes), acreditamos que a resposta é bastante racional. Na verdade, acreditamos que essa resposta é a mais racional e a que exige menos fé do que qualquer outra resposta possível, incluindo a opção de ser ateu.”

Então, a proposta desse livro é mostrar que o cristianismo é a resposta mais racional que existe, entre todas as possíveis, inclusive do ateísmo. Veremos nas próximas postagens se ele tem mesmo tantos argumentos quanto diz, ou e é só bravata de mais um apologista bíblico.


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sexta-feira, 13 de abril de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Lindas Leis Divinas VII: Foi estuprada e não gritou? Morra!

Pois é, mulheres cristãs... se vocês forem estupradas na cidade e não gritarem, significa automaticamente que vocês gostaram, então, se forem casadas, cometeram adultério e são passíveis de morte por apedrejamento. É o que diz a bíblia:

Deuteronômio,22:23Quando houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela,
Deuteronômio,22:24Então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim tirarás o mal do meio de ti.

Essa lei não leva em consideração o simples fato da mulher talvez estar amordaçada, ou inconsciente, ou um simples "se gritar eu te mato", ou até mesmo ter gritado e ninguém ter ouvido. "Bela" e "justa" lei do criador todo-poderoso, não acham?

domingo, 8 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

A disposição para matar seu próprio filho

Incrível como uma das cenas mais louvadas pelos cristãos, mais famosas, cantada em hinos, representada em desenhos animados, é na verdade uma das mais abomináveis histórias que alguém poderia inventar: a disposição de matar seu próprio filho.


Gênesis,22:1E aconteceu depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.
Gênesis,22:2E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.

Podemos perguntar que tipo de pai estaria disposto a matar seu filho. Ou, que tipo de deus obrigaria alguém a cometer tal ato. Mas a questão aqui é diferente: é como os cristãos amam uma história horrível dessas.

Abraão e Isaque, por Peter Bentley.

Está certo que Abraão não assassinou seu filho, mas somente porque deus o impediu; ele passou no teste de fé ao qual foi submetido, por um deus que supostamente já sabia qual seria o resultado (acho que deus estava apenas sem ter o que fazer, e quis sacanear com Abraão).

O que os cristãos diriam de alguém que estivesse disposto a matar seu filho hoje em dia? Será que eles achariam bonito também? Será que eles seriam capazes de fazer o mesmo, se escutassem vozes de deus na cabeça? Ou, no mínimo, gostariam de ter essa fé?

Com esse ato de fé, Abraão foi recompensado com a promessa de que seria o povo escolhido de deus. Deus adorou a disposição dele em matar o seu filho!  Afinal de contas, deus também tinha planos para matar seu próprio filho, Jesus, mais para frente. Deve ter pensado: esse cara é dos meus!

Gênesis,22:16E disse: Por mim mesmo jurei, diz o SENHOR: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu filho, o teu único filho,
Gênesis,22:17Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos;

Abraham en Isaac, de  Rembrandt, 1634.
No entanto, não é dessa forma que devemos pensar. Não devemos achar essa história bonita. Quando solicitado a matar seu próprio filho, Abraão deveria ter dito um enfático NÃO! Não é assim que o ser humano deve agir, não é uma atitude louvável. Matar pessoas, quanto mais seu próprio filho, para agradar a deuses, não deve ser um motivo de orgulho, deve ser de vergonha. É uma vergonha para a humanidade que essa lenda ainda seja passada de geração a geração, de pais para filhos, e de clérigos para fiéis, ano após ano, como se fosse uma linda história com uma linda moral. Não é! A história é horrível e a moral pior ainda: obedeça cegamente a deus ainda que ele mande cometer crimes bárbaros que você será recompensado. Que porra de moral é essa?

Não consigo encontrar beleza alguma nessa história. Certamente ela pode ter feito sentido há muito tempo atrás, quando a humanidade não era esclarecida o suficiente para entender como era o mundo ao seu redor, e como funciona a verdadeira moralidade. A moralidade na qual todos os seres humanos são tratados com respeito e igualdade, e não baseada em crenças absurdas de povos antigos, resumida simplesmente a "deus disse, então tá". Somos melhores que isso.

Mais uma vez, cristãos: Ter disposição para matar seu próprio filho não é virtude, é insanidade! E compactuar com isso é compactuar com a loucura.


terça-feira, 3 de abril de 2012

As gafes de Rick Santorum

O quadro eleitoral republicano vai de mal a pior. Não basta o fiasco do pré-candidato Rick Perry, e sua atrapalhada publicidade que gerou polêmica por ser extremamente homofóbica, Rick Santorum, seu concorrente na corrida eleitoral, também soltou várias gafes que mostram que ele não é apenas homofóbico, mas também racista, fanático religioso e ignorante (o perfil favorito dos republicanos, diga-se de passagem).

Separação entre igreja e estado: "Me deu vontade de vomitar"

Rick Santorum demonstrou sua ignorância e fanatismo ao falar que ao ler o discurso de J. F. Kennedy em 1960 sobre separação entre igreja e Estado deu-lhe vontade de vomitar.

"Dizer que as pessoas de fé não tem lugar em cargos públicos? Pode apostar que me dá
vontade de vomitar. Que tipo de país nós vivemos onde apenas pessoas sem religião
podem ir no congresso expor seus pontos de vista? Isso me faz vomitar, e deveria fazer
o mesmo com cada cidadão norte-americano" - Rick Santorum.

É claro que não foi nada disso que Kennedy disse, nem é isso o que significa a separação entre igreja e Estado. Primeiramente vamos ver o que JFK disse:

"Eu acredito em uma América que não é oficialmente nem católica, nem protestante,
nem judaica - onde nenhum funcionário público pede ou aceita instruções sobre
políticas públicas do papa, nem do Conselho Nacional das Igrejas, nem de nenhuma
outra fonte religiosa - onde nenhum corpo de religiosos busca impor sua vontade direta
ou indiretamente sobre a população em geral ou nos atos públicos dos seus representantes - e onde a liberdade religiosa é tão indivisível que um ato contra uma igreja é tratado
como um ato contra todas elas" - J. F. Kennedy.

É um discurso sem dúvida muito bonito e é difícil assimilar como é que Rick Santorum entendeu que "nenhuma religião pode impor sua vontade sobre o governo" significa "nenhum religioso pode ser funcionário público".

É muita ignorância, visto que o estado laico visa proteger as religiões - todas elas - de modo que não está sendo negado o direito das pessoas de fé de participarem do governo, está sim protegendo-as, fazendo com que nenhuma religião ou crença tenha privilégio sobre outra. O discurso de Kenedy explica bem que pessoas de todas as crenças devem ser bem vindas no governo - apenas não podem impor sua fé no resto da população. A falha de entender uma coisa tão simples como essa é comum nos religiosos, e Rick Santorum não é exceção.




Obama, um esnobe que quer que todos vão para a Universidade

Essa é fantástica:

"O presidente Obama disse certa vez que quer que todos nos EUA vão para a faculdade.
Mas que esnobe (aplausos). Vocês são pessoas boas e descentes, que trabalham duro todos os dias, e não são ensinados por nenhum professor liberal de universidade, que vai
tentar doutrinar vocês. (aplausos). Eu entendo por que ele quer que vocês vão à
faculdade: ele quer recriar vocês à imagem dele. Eu quero criar empregos para vocês
criarem os seus filhos à sua imagem, e não à dele (aplausos)." - Rick Santorum.

Eu sei que o que os políticos mais querem é manter o povo na ignorância, mas nenhum até hoje tinha tido a coragem de dizer isso abertamente! Isso apenas reflete o medo que essas pessoas tem do conhecimento. E o fato de ser aplaudido por isso ainda por cima é o pior de tudo! (Está explicado por que ele não conseguiu entender um texto simples como o discurso de Kennedy. Ignorância para certas pessoas é uma bênção.)




"Eu não quero melhorar a vida dos negros dando dinheiro de outras pessoas"

Pois é, em mais uma gafe feia, Rick Santorum deixa escapar o seu racismo em uma declaração que repercutiu muito mal em todo o país:

"Eu não quero melhorar a vida dos negros dando dinheiro de outras pessoas. Eu quero dar a oportunidade de fazê-los merecer o dinheiro" - Rick Santorum.

Essa frase provocou tanta polêmica porque ninguém perguntou a ele sobre negros. Perguntaram sobre as políticas de assistência social, sem mencionar a etnia de ninguém. Foi Rick Santorum que assumiu que se tratava de negros. O motivo é simples: na cabeça racista dele, só mesmo os negros que precisam de ajuda assistencial, e Rick praticamente insinua que estão pegando o dinheiro de outras pessoas, ou seja, "esses negros ficam ganhando dinheiro às custas do trabalho dos brancos"!

Rick desconhece, no entanto, que no seu estado de Iowa, 84% das pessoas que recebem "stamp food", uma espécie de vale alimentação do governo para conseguirem se alimentar, não são negros.

E o pior de tudo foi que ele, depois de feita a merda toda, ainda tenta consertar, o que como bem sabemos sempre estraga mais ainda. Segundo ele, ele afirma categoricamente que não disse "black people" (apesar de escutarmos claramente no vídeo abaixo), e sim que ia dizer uma palavra, mudou de idéia no meio, e acabou saindo "blaghlaha". Mas não era, em hipótese alguma, "black people". De jeito nenhum!

Oras, se falou merda, pelo menos tenha a hombridade de admitir! Diga que sim, se enganou, que não são apenas negros que fazem uso dos programas assistenciais. Porra, seria muito mais admirado se fosse honesto consigo mesmo e com os outros. Mas não, precisa ser sempre arrogante e orgulhos, e nunca admitir que errou. São os requisitos obrigatórios de um conservador!




Poderia por gentileza deixar de ser gay?

Falando sobre o assunto dos gays servindo no exército, no qual Rick é obviamente contra, deixou clara sua esperada homofobia quando entrevistado no canal da Fox.

Primeiro ele alega que atividades sexuais não tem lugar no exército, e não pode dar privilégios especiais aos gays, mas quando o repórter diz que sexo heterossexual existe há séculos entre os militares sem problema algum, ele deixou claro que se referia somente ao sexo homossexual (como é que os gays ganham privilégios especiais por ganhar os mesmos direitos que os heterossexuais já possuem há séculos é algo que se encontra além da minha capacidade de compreensão).

Em seguida, o repórter jogou uma armadilha na qual Rick Santorum caiu como um patinho: ao falar que os gays poderiam atrapalhar, tirar a concentração, diminuir a eficiência dos soldados, não se deve injetar políticas no exército, etc, foi mostrada a seguinte frase, e perguntado se Santorum concordava ou não com ela:

"O exército não é um laboratório social. Experimentar com políticas sociais no exército, especialmente em tempos de guerra, significa um perigo para a eficiência, disciplina e moral que podem resultar em uma derrota" - Coronel Eugene Householder

Ao dizer que sim, em linhas gerais ele concordava com a frase, foi dito que ela pertencia ao coronel Eugene Householder, em 1941, contra a integração dos negros no exército. Ele usava exatamente os mesmos argumentos.

Rick então passou a dizer que são situações diferentes: um negro não pode deixar de ser negro, enquanto um homossexual pode (?) deixar de ser homossexual.

"A idéia de que isso é de alguma forma equivalente ser negro e ser gay, simplesmente não é verdade. Existem vários estudos que sugerem exatamente o contrário, que eram gays, e viviam o estilo de vida gay, e agora não são mais" - Rick Santorum. 

É isso aí, para Rick Santorum, ser gay ou ser hetero é como ligar ou desligar um botãozinho, onde a pessoa pode escolher o que quer ser. Então tá, hoje eu vou ser gay, amanhã eu vou ser hetero. ¬¬



Pois é, pacote completo. Não precisamos nem perguntar o que ele pensa a respeito de outros assuntos, tal como criacionismo, aborto, orações nas escolas públicas, etc. E eu pensando que não haveria nenhum candidato mais toupeira que a Sarah Palin!

Só essas frase fez o medidor de vergonha alheia quebrar aqui, mas se tiver alguma outra eu vou atualizar a postagem. Tenho certeza que ainda vai vir mais pérolas por aí!

Update: "Obama, aquele pret... ugh... o que eu dizia mesmo?"

 Não falei? Rick Santorum deixou escapar um deslize quase freudiano ao falar o que pensa sobre Obama, ao chamá-lo de "nigger", o equivalente a "preto" aqui no Brasil. Ele não chegou a terminar a frase, percebendo o que ia dizer. Mas vê-se claramente que era isso que ele ia falar; não existem outras palavras que começam com "nig" que fariam sentido!

"Todos nós sabemos como era o candidato Barak Obama,  o governo anti-guerra daquele pret... - ugh - uma fonte de divisões..." - Rick Santorum



Talvez ele não tenha tido intensão de de chamá-lo de "nigger", mas é claro que é o que ele ia dizer. Provavelmente ele deve usar essa terminologia no seu dia-a-dia, nas rodinhas de amigos, como os racistas costumam fazer...

sábado, 31 de março de 2012

Maradona FTW!!

Só mesmo os islâmicos para me fazer admirar o Maradona.

Durante o jogo Shabab x Wasl alguns homens começaram a agredir sua esposa, ao que ele prontamente foi dar de dedo na cara deles:



Não se sabe ao certo o motivo da confusão, se foi apenas por ela ser mulher, ou por não estar usando a roupa adequada aos costumes tradicionais. Mas sabe-se que o motivo é a misoginia típica da cultura islâmica.

Em entrevista após o jogo, Maradona disse claramente: "Se um homem agride uma mulher, é um covarde. É um covarde porque ele não tem culhões de enfrentar um homem". O repórter claramente se indignou com a resposta, mas Maradona não recuou: "Fiz e faria de novo. E se você estivesse lá, também faria com você. Se faltar com o respeito à minha mulher, vou te buscar na sua casa. NA SUA CASA!"

Boa, Maradona!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Injustiças Divinas III - Deus mata lentamente um bebê

Davi, o comedor, agora estava de olho na mulher de Urias, Bate-Seba, quando a viu tomando banho. Assim, mandou buscá-la e cometeu adultério com ela - mas só após ela estar "limpa de sua imundície", fique bem claro. Ela acabou engravidando. Assim, Davi elaborou um plano para que Joabe, comandante das tropas, enviasse Urias à guerra na frente da batalha, para que morresse e pudesse ficar com a mulher definitivamente para ele. Isso desagradou a deus. Toda a história está no capítulo 11 de 2 Samuel:

2Samuel,11:2E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.
2Samuel,11:3E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?
2Samuel,11:4Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa.
2Samuel,11:5E a mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida.

(...)

2Samuel,11:14E sucedeu que pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe; e mandou-lha por mão de Urias.
2Samuel,11:15Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.
2Samuel,11:16Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pós a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.
2Samuel,11:17E, saindo os homens da cidade, e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu.

Deus não gostou nada dessa atitude (não a de tomar mais uma mulher para si, fique bem claro, mas a do adultério e do plano de matar Urias; Davi acumulou centenas de mulheres e deus não se incomodou nem um pouco...) e enviou o profeta Natã para repreendê-lo.

Primeiro, numa típica atitude machista e patriarcal da idade de bronze, deus promete que as mulheres de Davi serão estupradas em plena luz do dia por alguém de sua própria família:

2Samuel,12:11Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.
2Samuel,12:12Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.

Segundo a bíblia, foi seu próprio filho Absalão quem fez isso, como vemos em 2 Samuel 16:21-22:

2Samuel,16:21E disse Aitofel a Absalão: Possue as concubinas de teu pai, que deixou para guardarem a casa; e assim todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível para com teu pai; e se fortalecerão as mãos de todos os que estão contigo.
2Samuel,16:22Estenderam, pois, para Absalão uma tenda no terraço; e Absalão possuiu as concubinas de seu pai, perante os olhos de todo o Israel.

Ou seja, além de serem escravas sexuais do rei com a autorização de deus, elas também são violentadas para servir de punição contra o pecado de Davi! Mas isso não é tudo...

O que acontece a seguir é uma das mais abjetas e desprezíveis atitudes que o deus do Velho Testamento Jeová comete: para punir Davi pelo seu pecado, ele mata seu filho recém nascido.

2Samuel,12:13Então disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás.
2Samuel,12:14Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.

E se não bastasse tirar uma vida inocente, nem mesmo lhe concede a dignidade de uma morte rápida e indolor; pelo contrário, o deixa agonizando por sete dias antes de morrer:

2Samuel,12:15Então Natã foi para sua casa; e o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.
2Samuel,12:16E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.
2Samuel,12:17Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.
2Samuel,12:18E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança;

Esse é o deus que os crentes adoram. Há alguma justificativa para uma atitude abominável dessas de um deus que dizem ser de amor e compaixão? Alguma racionalização genial que explique que um deus de amor e justiça tire a vida de uma criança inocente para punir o seu pai?

Deus de amor? Não! Deus da tortura, deus da injustiça, deus da vingança, deus da morte.

Interessante que se observarmos esse episódio do ponto de vista secular, ou seja, de que a bíblia foi escrita por seres humanos sem nenhuma inspiração ou intervenção divina, tudo faz sentido: é claro que os sacerdotes daquela época não tinham o conhecimento necessário para saber de todas as enfermidades que acometem na infância. Provavelmente ela ficou doente por um motivo qualquer, e na ignorância daquele tempo a sua morte foi atribuída à vontade de deus - até por talvez ser notório que ela era fruto de um adultério e de uma trama de assassinato. Isso não quer dizer obviamente que o fato tenha acontecido de verdade. Não há indícios que Davi tenha existido realmente. Provavelmente foi só a transcrição de uma tradição oral, ou algo que aconteceu com qualquer outro rei, e depois foi atribuído a Davi. Mas essa era a explicação que fazia sentido na época.

No entanto, se olharmos do ponto de vista religioso, no qual deus inspirou divinamente cada trecho da bíblia e tudo o que está lá é verdade, e a criança morreu realmente para servir de punição a Davi, então deus se torna uma das criaturas mais desprezíveis que já existiram, além de contradizer outras passagem bíblicas que mostram que deus não pune as pessoas pelos pecados dos outros.

Não tem saída, matar um bebê recém nascido e torturar mulheres inocentes por causa do erro de outra pessoa não tem justificativa diante de um deus que se considera bom e justo; não foi feita bondade nem justiça nesse caso. A única saída é admitir a verdade: que a bíblia foi escrita por homens ignorantes que sequer conheciam o mundo ao seu redor e os males que os afligiam, e a única explicação que tinham é a de que "foi deus quem quis".

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Bispo" evangélico nigeriano esbofeteia adolescente e a chama de bruxa

Uma petição on-line foi lançada para que as autoridades nigerianas investiguem a agressão a uma adolescente feita por um auto-proclamando "bispo" evangélico.

Durante o sermão, o "bispo" David Oyedepo agrediu com um tapa uma garota ajoelhada à sua frente, chamando-a de "bruxa" e "demônio maldito", e que ela podia "ir e queimar no inferno".

O vídeo pode ser visto aqui (reparem como as pessoas na igreja aplaudem a agressão):



Oyedepo sugeriu que a moça estava envolvida com bruxaria, ao que ela negou, alegando ser uma "bruxa de Jesus". O bispo respondeu gritando que Jesus não tem bruxas, e desferiu um violento tapa no rosto da menina.

Mesmo que fosse o caso da moça estar enganada ao se julgar uma "bruxa de Jesus", isso não justifica ser agredida por uma pessoa que se intitula espiritualmente superior, iluminada e abençoada por deus. A garota estava ajoelhada, se humilhando diante do altar, sendo mentalmente torturada por um homem que a acusava de bruxaria - e bruxaria é um crime sério na África, do qual nem mesmo crianças escapam.

Se considerar uma "bruxa de Cristo" não é nem melhor nem pior que muitos crentes que se consideram "noivas de Cristo", apenas demonstra uma grande criatividade e ingenuidade por parte daqueles que são crédulos a ponto de acreditar em qualquer coisa que escutam.

A África é varrida pela superstição, e o veneno do cristianismo não ajuda em nada, pelo contrário, apenas espalha mais violência e intolerância, onde os mais fracos - mulheres e crianças principalmente - são geralmente as maiores vítimas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O calvário dos homossexuais

O movimento contra os direitos dos homossexuais parece crescer em nível mundial.

Na Nigéria políticos pretendem aprovar leis homofóbicas que preveem até 14 anos de prisão para quem cometer atos homossexuais, e até 10 anos para quem ajudar, proteger ou encobrir homossexuais. Tudo isso com forte apoio de líderes religiosos cristãos e muçulmanos.

O pastor Martin Ssempa, que costuma mostrar vídeos de
homossexuais em atos explícitos na igreja para
impressionar os fiéis, apóia as leis duas na Uganda.

Na Uganda o preconceito é ainda pior. Projetos de lei visam a pena de morte ou prisão perpétua para homossexuais, apesar de pressões internacionais possivelmente possam impedir a aprovação da lei, que, novamente, contam com o apoio dos evangélicos, entre eles o Pastor Martin Ssempa, que costuma mostrar vídeos na igreja de homossexuais em ato explícito e praticando coprofagia.

Na Escócia, protestos contra a legalização do casamento entre homossexuais, encabeçados pelo cardeal Keith O'Brien da igreja católica, e pelo pastor Ann Allen da Church of Scotland (evangélicos e católicos deixam as diferenças de lado e se unem quando é para coibir os direitos dos homossexuais).

Nos Estados Unidos, a organização Christian Right (Direita Cristã) realiza protestos em 49 estados, enquanto vários outros grupos que promovem discursos de ódio aos homossexuais tem sede em várias cidades americanas.

No Brasil, as coisas não são muito diferentes. Aqui um dos maiores representantes anti-gays e um dos que mais faz barulho recentemente é o pastor evangélico Silas Malafaia, que já declarou ser o "inimigo número 1 do movimento gay no Brasil", e que os católicos deviam "entrar de pau e baixar o porrete" em cima dos homossexuais, agora fica fazendo pressão e convocando seus seguidores a mandar e-mails para a câmara dos deputados, para que não aprovem o PL122, que criminaliza a homofobia.

O Twitter de Silas Malafaia em sua cruzada contra o PL 122: Deixou de fora a informação de que os religiosos
também são protegidos pela lei 7.716. Desonestidade ou ignorância?

Em suas postagens no twitter, ele demonstra o quanto é desonesto, ao dizer que o PL122 quer privilegiar os homossexuais, adicionando o gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero à lei 7.716.

O PL 122 não quer dar privilégios a ninguém, ele quer dar os mesmos direitos que outros grupos já possuem e desfrutam. A lei 7.716 é clara ao falar no Artigo 1º:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Religião está inclusa entre os grupos protegidos pela lei, e o pastor sabe disso, pois ele afirma que conhece a referida lei (nesse caso ou ele é desonesto ou é ignorante, escolha). Independentemente se homossexualidade for comportamental ou não, se é opção ou não (e eu acho que não), não se pode negar que ninguém nasce religioso, que religião é uma escolha, que é comportamental. Mas não vemos o pastor exigindo que se retire a proteção à religião da lei, vemos?

Vemos como o ódio aos homossexuais é tão grande que ele chega a ponto a lutar contra a inclusão de grupos minoritários em uma lei em que ele próprio é beneficiado! Aposto que Jesus ficaria orgulhoso...

Tanto medo e tanto ódio contra os homossexuais tem em comum o fato de serem cristãos usando passagens bíblicas para justificar seus atos. Seria correto dizer que a bíblia é a responsável pela homofobia dos cristãos? Certamente a bíblia é homofóbica, já vimos, por exemplo, que ela ordena que gays devem ser mortos. Mas acredito essa resposta não seja o suficiente.

Seria simplista demais culpar a bíblia pelo ódio dos homofóbicos, até porque existem diversas passagens em que os cristãos simplesmente ignoram ordens expressas da bíblia. Por exemplo, a bíblia ordena pena de morte para quem trabalha no sábado, para membros da própria família que adorem a outros deuses, para mulheres que perdem a virgindade antes do casamento, e obriga às mulheres vítimas de estupro a se casar com o estuprador, e nenhum crente segue essas leis. Por que simplesmente não ignorar as leis que condenam a homossexualidade, assim como eles fazem com todo o resto que não gostam?

Claro que alguém vai dizer que todas as passagens anteriores são do Antigo Testamento, e que Jesus mudou a lei. É engraçado contudo como os cristãos não excitam um minuto usar passagens do AT quando isso é conveniente às suas convicções, mas enfim, eu poderia em resposta dizer aqui a passagem em que Jesus disse que não veio anular a lei, mas não vou.

Pelo contrário, vou mostrar pelo menos uma situação do Novo Testamento em que cristãos também preferem ignorar, por pura conveniência (há outras, muitas outras, que poderiam ser mostradas, mas vamos  nos ater a apenas uma).

Por exemplo, na passagem em que Paulo fala explicitamente para as mulheres ficarem caladas nas igrejas:

1Coríntios,14:34 conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina.
1Coríntios,14:35 Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja.

Para Paulo, o simples ato da mulher falar na igreja é vergonhoso!

Em outra passagem, ainda mais contundente, Paulo ordena que as mulheres são obrigadas a usar véu dentro das igrejas. Se não usarem, então que raspem a cabeça, pois é desonra para ela mostrar os cabelos!

1Coríntios,11:5 Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada.
1Coríntios,11:6Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso, que rape o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar véu.

Oras, a própria esposa do Silas, Elizete Malafaia e a sua nora Rachel Malafaia, oram, cantam e profetizam nas igrejas de cabelos descobertos!
Elizete Malafaia, esposa de Silas Malafaia, pregando para
um grupo de jovens. Desobedecer 1 Coríntios 11:5-6 e
1 Coríntios 14:34-35 parece não incomodar o pastor.

Parece que desobedecer essa ordem bíblica não incomoda nem um pouco nem a Silas Malafaia e nem os milhares de crentes que citam a bíblia para condenar os homossexuais, não é mesmo?

Então vemos que na verdade não é questão de seguir ou não a bíblia. O que a bíblia diz, para esses crentes, realmente não importa. O que importa é adaptar a bíblia de acordo com suas convicções pré-estabelecidas, e ignorar as partes que não interessam.

O preconceito existe, então, independentemente do que a bíblia diz. Ela é preconceituosa porque foi escrita em uma época de forte influência preconceituosa, mas não é a razão por trás da homofobia. Apenas é usada para justificar a intolerância, disfarçada de religião.

Enquanto isso, os homossexuais continuam sua luta por seus direitos, para poder fazer aquilo que todas as outras pessoas podem fazer livremente. Eles não querem nada mais que isso. Não querem tirar nenhum direito dos cristãos, nem dos heteros, nem de ninguém. Pelo contrário, são os cristãos que não querem que os gays tenham os mesmos direitos que eles (o que aconteceu como "dar a outra face"?).

Não importa qual o país, se Brasil, EUA ou Uganda, em todos eles os homossexuais correm risco de vida diariamente, apenas por ser o que são. São humilhados, espancados, são negados empregos, são ridicularizados. Lutar por uma lei que os defendessem seria o mínimo que se esperaria de alguém que se considera "cristão", mas estranhamente, o que vemos geralmente é o oposto.

Então, cristãos que se opõem à PL 122, ponham a mão na consciência. Prestem atenção no que vocês estão fazendo. Antes de negar direitos a outras pessoas, pensem se seria isso que Jesus faria. Será que eles aprovariam essa atitude? Ou será que ele colocaria pessoas como o Silas Malafaia entre a "raça de víboras" e os "sepulcros caiados"?

Mateus 5:3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Mateus 5:4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Mateus,5:5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Mateus,5:6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Mateus,5:7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Mateus,5:8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Mateus,5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Mateus,5:10Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pervertendo o livre-arbítrio

Cristãos costumam dizer que uma das coisas mais preciosas que deus nos deu foi o livre-arbítrio. Que sem ele seríamos meros robôs controlados por ele, e que esse é o motivo de tanta maldade do mundo, etc.

Porém há casos na bíblia em que vemos claramente que deus não se importa nem um pouquinho com o livre-arbítrio, ou seja, para ele não é tão importante assim. Um dos exemplos mais claros é o do endurecimento do coração do faraó:

Êxodo 4:21 Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.


Êxodo 7:3 Eu, porém, endurecerei o coração de faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.


Êxodo 9:12 Porém o SENHOR endureceu o coração de faraó, e este não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés


Êxodo 10:1 Disse o SENHOR a Moisés: Vai ter com faraó, porque lhe endureci o coração e o coração de seus oficiais, para que eu faça estes meus sinais no meio deles,

Ou seja, fica claro nesses versos que faraó não tinha escolha alguma, já que ele teve o coração deliberadamente endurecido por deus para fazer o que deus queria desde o início: a matança e o sofrimento de pessoas.

Provavelmente em sua onisciência deus viu que sem endurecer o coração do faraó ele acabaria libertando o povo hebreu. Isso significa que não haveria outra forma de castigá-los sem interferência divina. Deus os fez culpados pervertendo o livre-arbítrio. Mas eles não eram culpados de verdade, já que deus não deu escolha a eles.

Uau, essa é a moralidade do livro pelo qual muitos cristãos diriam que sem ele não saberíamos diferenciar o certo do errado! Estou perplexo! O que faríamos sem ele? o.O


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A bíblia com peças de Lego: cristãos acham violenta e vulgar

Brendan Smith, que há mais de dez anos produz ilustrações de passagens bíblicas com peças de Lego para o seu site The Brick Testament, teve a última versão do seu livro de histórias bíblicas banido das prateleiras da Sam's Club, uma das maiores redes de departamentos dos Estados Unidos.

O motivo, ironicamente, foram as constantes reclamações de cristãos que compraram o livro para os seus filhos, mas a consideraram "muito violenta e vulgar" para elas, apesar de que as ilustrações e citações são retiradas diretamente da bíblia, sem alterar nem esconder nada.

Aqui tem alguns exemplos, para quem não conhece, desse excepcional site:

Deus descansando no sétimo dia.

Ló entregando suas filhas virgens para uma gangue de estupradores.

Ló cometendo incesto com suas filhas.

Noé enchendo a arca.

O dilúvio.

Noé bêbado e nu após o dilúvio.
Abraão sacrificando seu filho.

A décima praga sobre o Egito: a morte dos primogênitos.

A história de Jó.

Leis sobre o que fazer em caso de bestialismo.

E homossexuais...

...e o que fazer com eles.

E muito mais, incluindo a vida de Jesus e o apocalipse. Certamente esse site torna a leitura da bíblia muito mais divertida.

A proibição chega a ser irônica de modo até perverso: essa é a inerrante palavra de deus que eles não gostam! Oras, é claro que é vulgar e violenta. É a porra da bíblia! Apenas fica evidente que nem eles acreditam - ou nem mesmo conhecem - o que está escrito ali.

Update: O negócio está dando o que falar. Alguns cristãos - talvez sem conhecer a história por completo - estão iniciando uma campanha para boicotar o Sam's Club, por causa do banimento do livro de histórias bíblicas, achando que se trata de perseguição religiosa. Enquanto isso,  alguns pastores estão dando o maior esporro neles, dizendo que inadvertidamente estão defendendo uma bíblia ateísta, e que o Sam's Club está fazendo um serviço a Deus ao banir o livro. Oras, The Brick Bible não tem nada de ateísta, é apenas a representação gráfica de passagens retiradas diretamente da bíblia!